Vereador é indiciado após entregar R$ 400 mil a pedido de Euclydes, diz PF

Relatório da Polícia Federal afirma que o vereador Marcelo de Oliveira Silva vendeu dólares e entregou R$ 400 mil em dinheiro vivo a pedido do deputado federal Euclydes Pettersen. O parlamentar municipal foi indiciado por lavagem de capitais.

18/07/2026 19h00

A Polícia Federal (PF) indiciou o vereador Marcelo de Oliveira Silva (PMN), de São Felix de Minas, por lavagem de capitais no âmbito da Operação Sem Desconto.

Segundo o relatório da investigação, o parlamentar vendeu dólares e entregou R$ 400 mil em dinheiro vivo a pedido do deputado federal Euclydes Pettersen ( Republicanos-MG).

De acordo com o depoimento prestado pelo próprio vereador à PF, o dinheiro foi entregue em um endereço indicado por Euclydes Pettersen, em Governador Valadares.

PF destaca entrega de R$ 400 mil em espécie

O relatório da Polícia Federal aponta que um dos trechos mais relevantes da investigação envolve a declaração de Marcelo de Oliveira Silva.

Segundo o documento, o vereador afirmou ter vendido dólares e entregue R$ 400 mil em espécie, atendendo a um pedido do deputado federal.

"O ponto mais grave de sua declaração é afirmação de MARCELO que, a pedido do Deputado Federal EUCLYDES PETTERSEN, vendeu dólares e entregou R$ 400.000,00 em dinheiro vivo em um endereço indicado por EUCLYDES em Governador Valadares/MG", registra o relatório da PF.

Cheque da Conafer foi usado como garantia

Segundo a investigação, Marcelo recebeu como garantia da operação um cheque datado de 18 de março de 2023, emitido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Familiares ( Conater). O documento foi assinado por Carlos Roberto Lopes, presidente da entidade, e por Tiago Abraão Ferreira Lopes, vice-presidente e irmão do presidente.

Ainda conforme a PF, o cheque nunca foi compensado. Posteriormente, ele foi entregue pelo vereador à investigação, juntamente com outros documentos que passaram a integrar o relatório final do inquérito.

O material foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.

Vereador também teria intermediado contatos

Além da entrega do dinheiro, a Polícia Federal afirma que Marcelo de Oliveira Silva atuou como um "duto de passagens de recursos" no suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado à fraude bilionária contra aposentados e pensionistas do INSS.

O relatório também sustenta que o vereador intermediou contatos entre integrantes da organização investigada e assessores de Euclydes Pettersen.

O deputado federal foi indiciado pela PF por organização criminosa, lavagem de capitais e corrupção passiva. Ele, no entanto, nega as acusações.

Fonte: O Fator