Cleitinho articula apoio do PL e movimenta bastidores da sucessão ao governo de Minas
Senador mineiro tem liderado as pesquisas de intenção de voto para o Palácio Tiradentes
14/04/2026 07h00
A possível candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo de Minas Gerais vem alterando o equilíbrio de forças no campo da direita e intensificando articulações partidárias com foco nas eleições de 2026. Um dos principais movimentos envolve a tentativa de atrair o Partido Liberal (PL) para sua base de apoio.
Nos bastidores, aliados de Cleitinho trabalham com um plano alternativo, caso o PL opte por não embarcar formalmente em sua candidatura. A estratégia incluiria o lançamento de seu irmão gêmeo, Gleidson Azevedo (Republicanos), como candidato ao Senado por Minas Gerais, movimento interpretado como uma forma de pressionar a legenda e preservar protagonismo político do grupo.
Essa possibilidade acabou criando uma aliança tácita entre dois nomes de peso do campo conservador: o deputado federal Domingos Sávio (PL) e o ex-secretário de Estado de Governo Marcelo Aro (PP). Ambos são potenciais candidatos ao Senado e veem na consolidação de Cleitinho como cabeça de chapa uma forma de fortalecer a nominata e evitar fragmentação do eleitorado de direita.
Ao mesmo tempo, o cenário permanece instável. Interlocutores próximos ao senador avaliam que Cleitinho mantém aberta a hipótese de uma retirada estratégica da candidatura ao governo. Nesse caso, Cleitinho poderia apoiar o atual governador Mateus Simões (PSD), com quem mantém diálogo frequente.
Dentro dessa alternativa, surgiu a especulação de que Gleidson Azevedo teria sido sondado para compor a chapa de Simões como candidato a vice-governador, numa tentativa de atrair o eleitorado bolsonarista.
A ideia de ter Gleidson como vice seria encabeçada por Aro, que vislumbra na situação uma forma de evitar concorrência direta na luta por uma cadeira no Senado, tendo apenas Sávio como composição.
Essa hipótese, entretanto, esbarra em resistência interna no Partido Novo. O presidente estadual da legenda, Christopher Laguna (Novo), tem afirmado publicamente que a vaga de vice na chapa de Mateus Simões será ocupada por um nome do próprio Novo, descartando que o cargo poderia ser reservado para siglas como Republicanos, União Brasil, PP ou PL.
A posição reforça o projeto do Partido Novo de manter protagonismo no Executivo estadual, mesmo após a saída de Simões de seus quadros.
Com pesquisas ainda em movimento e articulações longe de uma definição final, a disputa pelo Palácio Tiradentes segue marcada por cálculos cruzados, pressões partidárias e negociações silenciosas - cenário típico de uma sucessão em aberto em um dos maiores colégios eleitorais do país.