Dos 27 governadores, onze vão à eleição, nove tentam reeleição e sete ficam fora da disputa

Movimentação abre espaço para sucessões em ao menos um terço dos estados e amplia o peso da disputa pelo Senado; nove miram a Casa e dois o Palácio do Planalto

09/04/2026 18h00

A seis meses das eleições, nove governadores se organizam para disputar a reeleição, enquanto onze deixaram os cargos para pleitear outros postos, com dois de olho na corrida presidencial e nove na disputa pelo Senado. Outros sete devem permanecer até o fim do mandato, ficando de fora da corrida de outubro.

Entre os que buscam um novo mandato, São Paulo lidera o grupo em peso político. No maior colégio eleitoral do país, Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve disputar a reeleição tendo como principal adversário Fernando Haddad (PT), em uma reedição do embate que marcou 2018.

No Nordeste, dois governadores entram na disputa pela permanência no cargo. Na Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) tenta manter a hegemonia petista, que já dura quase duas décadas. Em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) deve enfrentar o prefeito do Recife, João Campos (PSB), em uma disputa entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ainda na região, Elmano de Freitas (PT) tentará a reeleição no Ceará com o apoio do ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT). O petista deve ter como principal adversário Ciro Gomes (PSDB), que busca unificar a oposição em torno de sua candidatura.

No Sul, Jorginho Mello (PL) entra na disputa pela reeleição em Santa Catarina, onde a direita mantém força consolidada. No Centro-Oeste, Eduardo Riedel (PP) também buscará um novo mandato no governo do Mato Grosso do Sul.

Já no Norte e no Nordeste, regiões que concentram cerca de 35% do eleitorado, completam a lista Rafael Fonteles (PT), no Piauí; Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe; e Clécio Luís (União), no Amapá, que tentam a recondução em cenários menos polarizados até o momento.

Veja a lista completa dos governadores que tentarão a reeleição:

  • São Paulo:Tarcísio de Freitas (Republicanos)
  • Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT)
  • Pernambuco: Raquel Lyra (PSD)
  • Ceará: Elmano de Freitas (PT)
  • Santa Catarina: Jorginho Mello (PL)
  • Piauí: Rafael Fonteles (PT)
  • Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel (PP)
  • Sergipe: Fábio Mitidieri (PSD)
  • Amapá: Clécio Luís (União)

No grupo que deixa o cargo para disputar as eleições, dois governadores miram a Presidência da República: Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Ambos tentam se viabilizar como alternativas no campo da direita e devem disputar espaço no eleitorado com o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL).

Entre os que deixaram o cargo de olho no Senado está Helder Barbalho (MDB), aliado de Lula que deixou o governo do Pará. Neste ano, 54 das 81 cadeiras da Casa estarão em disputa, com duas vagas por estado, o que coloca o Senado como um dos principais focos da eleição, diante dos mandatos de oito anos.

No Nordeste, João Azevêdo (PSB), que deixou o governo da Paraíba, e Renato Casagrande (PSB), ex-governador do Espírito Santo, também optaram por disputar o Senado. Movimento semelhante ao de Wilson Lima (União Brasil), que deixou o governo do Amazonas e tenta manter protagonismo político na região Norte.

No Centro-Oeste, Mauro Mendes (União Brasil) deixou o governo de Mato Grosso com o mesmo objetivo. No Norte, Gladson Cameli (PP), do Acre, e Antonio Denarium (PP), de Roraima, também entram na disputa por uma cadeira na Casa Alta. 

Já no Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) se movimenta para disputar o Senado enquanto tenta se afastar do caso Master e reverter o desgaste político. Do outro lado, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) articulam uma chapa do partido na capital federal, que pode reunir a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada Bia Kicis (PL).

No Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) deixou o cargo em meio a impasses judiciais e foi declarado inelegível em processos ligados às eleições de 2022. A possibilidade de disputar o Senado ainda é incerta, e o PL avalia o cenário antes de uma definição.

Veja a lista completa dos governadores que deixaram o cargo para concorrer no pleito:

  • Minas Gerais: Romeu Zema (Novo) - Presidência
  • Goiás: Ronaldo Caiado (PSD) - Presidência
  • Pará: Helder Barbalho (MDB) - Senado
  • Paraíba: João Azevêdo (PSB) - Senado
  • Espírito Santo: Renato Casagrande (PSB) - Senado
  • Amazonas: Wilson Lima (União Brasil) - Senado
  • Mato Grosso: Mauro Mendes (União Brasil) - Senado
  • Acre: Gladson Cameli (PP) - Senado
  • Roraima: Antonio Denarium (PP) - Senado
  • Distrito Federal: Ibaneis Rocha (MDB) - Senado
  • Rio de Janeiro: Cláudio Castro (PL) - Senado

Fechando o quadro, outros sete governadores devem permanecer no cargo até o fim do mandato e não disputarão as eleições neste ano. É o caso de Eduardo Leite (PSD), que conclui seu ciclo à frente do governo gaúcho após perder a disputa interna para Ronaldo Caiado, e de Carlos Brandão (sem partido), que enfrenta um cenário de divisão no próprio campo político no Maranhão.

Também seguem no cargo Paulo Dantas (MDB), em Alagoas, e Marcos Rocha (União Brasil), em Rondônia, sem entrar na disputa eleitoral. No Norte, Wanderlei Barbosa (Republicanos) deve igualmente concluir o mandato fora da corrida.

Já no Paraná, Ratinho Jr. (PSD) permanece no governo após recuar de uma possível candidatura nacional. O paranaense abriu mão de uma eventual disputa após o ex-juiz e atual senador Sergio Moro se filiar ao PL e ameaçar seu espaço político no estado.

No Nordeste, Fátima Bezerra (PT) segue no cargo após não avançar no plano de disputar o Senado, diante de um impasse com o vice-governador Walter Alves (MDB), que resistiu a assumir o governo para viabilizar sua candidatura.

Veja a lista completa dos governadores que permanecerão no cargo e ficarão de fora da eleição. Todos já estão no segundo mandato:

  • Rio Grande do Sul: Eduardo Leite (PSD)
  • Maranhão: Carlos Brandão (sem partido)
  • Alagoas: Paulo Dantas (MDB)
  • Rondônia: Marcos Rocha (União Brasil)
  • Tocantins: Wanderlei Barbosa (Republicanos)
  • Paraná: Ratinho Jr. (PSD)
  • Rio Grande do Norte: Fátima Bezerra (PT)

O quadro mostra que mais de um terço dos estados terá troca de comando sem a presença do atual governador na disputa direta, em um cenário de sucessões abertas e rearranjos políticos nos principais colégios eleitorais do país.

De todo modo, o cenário segue em aberto. Ao todo, cerca de 155 milhões de brasileiros estão aptos a votar no primeiro turno, marcado para 4 de outubro, quando serão escolhidos presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.