Escândalo em Virginópolis: Denúncia aponta uso de máquinas e servidores da Prefeitura em fazenda do Prefeito
Imagens aéreas registradas em março de 2026 mostram trator oficial realizando silagem em propriedade particular de Josué Arruda dos Santos
26/03/2026 18h45
O mandato do prefeito Josué Arruda dos Santos (iniciado em janeiro de 2025) enfrenta sua crise mais aguda. Uma denúncia detalhada, acompanhada de registros audiovisuais, acusa o chefe do Executivo de utilizar a estrutura da Prefeitura de Virginópolis para benefício próprio e de seus familiares em propriedades rurais particulares.
O Flagrante
No último dia 19 de março de 2026, por volta das 13h, filmagens e fotografias aéreas capturaram um trator modelo Valtra A950 amarelo, pertencente ao patrimônio municipal, operando no Córrego Garajau. O local é uma propriedade rural atribuída ao prefeito e seus familiares, situada próxima ao distrito de Sapucaia de Guanhães.
Nas imagens, o maquinário - que ostenta o brasão oficial do município - aparece realizando serviços de silagem de milho. Segundo a denúncia, o trator era operado por um servidor contratado pelo município, e teria permanecido no local por vários dias consecutivos, a cerca de 17 km do centro da cidade.
Suposto Esquema Familiar
As investigações preliminares sugerem que o uso indevido não seria um fato isolado. Relatos indicam que serviços de aração de terra e plantio vêm ocorrendo de forma reiterada desde o início da gestão. Além do prefeito, seu irmão e Secretário Municipal de Governo, Rosimar Arruda dos Santos, também é apontado como beneficiário direto do uso do maquinário público.
O caso ganha contornos de gravidade pela ausência de qualquer programa oficial de atendimento isonômico a produtores rurais que justificasse o envio de máquinas e servidores ao local.
Implicações Jurídicas e Risco de Cassação
A denúncia protocolada na Câmara Municipal enquadra a conduta de Josué Arruda dos Santos no Decreto-Lei nº 201/1967, que dispõe sobre a responsabilidade de prefeitos e vereadores. Os principais pontos de acusação são:
- Infração Político-Administrativa: Prática de atos contra expressa disposição legal e omissão na defesa dos bens municipais (Art. 4º, incisos VII e VIII).
- Quebra de Decoro: Conduta incompatível com a dignidade do cargo (Art. 4º, inciso X).
- Crime de Responsabilidade: Utilização indevida de bens, rendas ou serviços públicos em proveito próprio (Art. 1º, inciso II).
Especialistas jurídicos apontam que, além do processo de cassação na Câmara, o prefeito poderá responder por Improbidade Administrativa e pelo crime de Peculato-Desvio (Art. 312 do Código Penal), devido ao dano ao erário causado pelo gasto de combustível, desgaste de máquinas e desvio de função de servidores.
O Outro Lado
A reportagem tenta contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura de Virginópolis e com o Secretário Rosimar Arruda dos Santos para que se manifestem sobre o teor da denúncia e as imagens registradas. Até o fechamento desta edição, não houve êxito. O espaço segue aberto para o contraditório.