PSD trata como "encaminhada" a escolha de Ratinho Júnior como candidato à presidência; anúncio sai até o fim do mês

A escolha de Ratinho foi confirmada por integrantes da cúpula do PSD

16/03/2026 10h00

Eduardo Leite, Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Gilberto Kassab - Foto: Reprodução/Redes sociais

O PSD está próximo de anunciar o governador do Paraná, Ratinho Júnior, como seu candidato à Presidência da República. Lideranças da legenda tratam a decisão como "encaminhada" e o anúncio formal deve ocorrer até o fim de março, já que a ideia era fazer após a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao partido - o que ocorreu no sábado (14), durante evento em Goiás para apresentação de candidaturas locais.

A escolha de Ratinho foi confirmada por integrantes da cúpula do PSD. O próprio partido, em nota oficial, confirmou que anunciará seu pré-candidato até o fim de março, sem revelar o nome.

Por que Ratinho

Dentro do PSD, o governador do Paraná é visto como o nome com maior maturidade política para encabeçar a candidatura. "Pelo espírito e clima e pela capacidade de crescimento, a escolha faz mais sentido", afirmou uma liderança da legenda. Outro dirigente foi mais direto: Ratinho só não será o candidato se ele próprio não quiser.

O tabuleiro desenhado pelo partido reserva papéis diferentes para os outros dois pré-candidatos. Caiado e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, devem concorrer ao Senado, abrindo caminho para que Ratinho concentre as apostas presidenciais da legenda.

Procurado, Ratinho Júnior preferiu a cautela. "Continua cumprindo suas agendas normalmente no Paraná e espera com tranquilidade e muito respeito aos demais concorrentes, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, que o partido oficialize no momento oportuno o candidato a presidente da legenda?, disse em nota. O governador acrescentou que prefere aguardar a definição oficial da direção do PSD antes de qualquer manifestação.

Pressão do PL

A decisão do PSD não está livre de turbulências. O PL pressiona Ratinho Júnior a desistir da candidatura presidencial para apoiar o senador Flávio Bolsonaro já no primeiro turno. Em troca, o partido de Bolsonaro garantiria apoio ao grupo político do governador no Paraná.

O entorno de Ratinho, porém, resiste. O argumento é que o bolsonarismo descumpriu um pacto em 2024, na disputa à Prefeitura de Curitiba. Na ocasião, o PL havia escolhido Paulo Martins para a vaga, mas Bolsonaro acabou apoiando a rival Cristina Graeml, então no PMB. O aliado de Ratinho venceu no segundo turno, mas o episódio deixou marcas na relação entre os dois campos.

Sem garantias de adesão de Ratinho, o PL avalia alternativas para construir palanque no Paraná. Uma delas é apoiar o senador Sergio Moro, que tenta viabilizar candidatura ao governo estadual. Graeml também tenta conquistar apoio e se reuniu com lideranças do PL no Senado nesta semana.

Um acordo mantido desde 2024 prevê que uma das vagas ao Senado apoiadas pelo PSD seria destinada ao PL, na figura do deputado federal Filipe Barros. Nos planos do PL, há ainda a opção de apoiar Guto Silva, candidato de Ratinho Júnior ao Senado pelo Paraná, o que agradaria ao partido de Gilberto Kassab e poderia aproximar os dois campos para além das tensões presidenciais.