Vereador suspeito de matar ex-noivo em MG renuncia ao cargo após abertura do processo de cassação
Carta de renúncia de Lucas Coelho, então vereador de Araújos, foi lida na Câmara em reunião ordinária na terça-feira (14). A suplente Tatyane Santos (PSD) assumiu o cargo.
14/08/2025 11h00
Lucas Coelho, de 33 anos, indiciado por matar a tiros o ex-noivo Jhonatan Simões, renunciou ao cargo de vereador após a Câmara Municipal de Araújos instaurarprocesso de cassação do mandato. A carta de renúncia foi lida durante reunião ordinária na terça-feira (12).
No documento, escrito pela advogada Isabela de Souza Damasceno, a defesa cita o estado de saúde de Lucas como um dos motivos para a decisão.
"O processado é portador de transtorno bipolar ou de humor. Episódio depressivo grave, associado ao transtorno de personalidade dependente. Patologias que o impõem em tratamento médico psiquiátrico contínuo".
A carta afirma ainda que o processo de cassação agrava o estado emocional de Lucas e, por isso, ele decidiu renunciar ao cargo. Após a leitura, o presidente da Câmara, Saulo Geraldo de Azevedo Santos, anunciou a posse da suplente Tatyane Santos (PSD).
Lucas cumpre prisão domiciliar desde 18 de julho, após o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) conceder habeas corpus e converter a prisão preventiva em medidas cautelares.
Lucas Coelho foi indiciado pela Polícia Civil em 13 de junho por homicídio qualificado. As investigações foram detalhadas em entrevista coletiva pela Polícia Civil e pelo Ministério Público (MP). Segundo o delegado Ricardo Augusto de Bessas, as investigações indicam que o vereador é o autor dos disparos e agiu de forma premeditada.
"A convicção da Polícia Civil hoje é que o ocorrido é um crime de homicídio doloso qualificado, qualificado pelo motivo torpe, qualificado pela dificuldade da defesa da vítima, já que o investigado procedeu através de tocaia", afirmou o delegado.
O delegado afirmou que o crime é resultado de um relacionamento conturbado e possessivo por parte do investigado. Em fevereiro, Jhonathan chegou a registrar um boletim de ocorrência após ser agredido e ter o carro danificado por Lucas. Na ocasião, ele relatou ter sido ameaçado.
"A situação se agravou, várias ameaças foram proferidas. Em fevereiro deste ano, o investigado agrediu a vítima, danificou o carro dela na zona rural de Araújos e, inclusive, proferiu a seguinte ameaça: 'Vou derramar seu sangue, Formiga vai chorar seu luto'", disse o delegado.
Segundo Bessas, um fato agravou ainda mais a relação: a vítima descobriu que havia contraído HIV e acusava o vereador, que é soropositivo, de não tê-lo informado sobre a condição de saúde.
"O relacionamento passou a ser mais conturbado ainda a partir do momento em que a vítima tomou conhecimento de que ela havia contraído o vírus HIV. A vítima se sentiu prejudicada, porque o investigado era soropositivo e não havia informado essa circunstância para a vítima quando iniciaram o relacionamento", explicou.
Jhonathan Silva Simões, conhecido como Jhony, de 31 anos, foi morto a tiros em 29 de maio, quando chegava em casa após o trabalho, em Formiga (MG).
Segundo a família, imagens de câmeras de segurança mostram que o atirador esperava a vítima havia cerca de 45 minutos. O professor foi atingido por seis tiros pelas costas, e o autor fugiu com o rosto coberto.
O vereador e Jhony mantiveram um relacionamento de cerca de um ano, encerrado em fevereiro. Familiares afirmam que havia perseguições, ameaças e comportamento abusivo por parte do parlamentar.
Jhony pediu uma medida protetiva, mas a Justiça negou. Segundo o primo da vítima, a justificativa foi que o recurso seria exclusivo para mulheres. Na época, a legislação ainda não previa esse tipo de proteção para casais homoafetivos. Após a entrada em vigor da nova lei, que passou a garantir o direito, Jhony não voltou a solicitar a medida.
Lucas se apresentou à polícia em Bom Despacho em 5 de junho, acompanhado de um advogado, e teve a prisão decretada.
No dia seguinte, a Câmara Municipal de Araújos publicou uma portaria que suspendeu o mandato e o salário do parlamentar, com base no regimento interno, que prevê afastamento em casos de prisão preventiva. Em nota, a Câmara lamentou o ocorrido e manifestou solidariedade à família da vítima.