O jogo que ajuda você a se preparar para a morte do seu pet

"Patas na Mesa" auxilia nas decisões que envolvem o fim de vida do bicho de estimação

06/08/2023 10h00

Foto: Mariza Tavares
Jogo "Patas na Mesa": cartas para ajudar nas decisões que envolvem o fim da vida de um animal de estimação

O jogo "Cartas na Mesa", criado pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) para dar uma força numa conversa delicada: as vontades do paciente no final de sua vida. Agora há também uma versão para lidar com a iminência de uma perda dolorosa, que é a morte do animal de estimação: trata-se do "Patas na Mesa", cujo objetivo é discutir um luto devastador, mas ainda pouco reconhecido.

"Na faculdade, estudantes de veterinária não têm uma formação que abranja o fim de vida dos animais e o luto de seus donos. O "Patas na Mesa" tenta suprir essa lacuna e ajudar a tomar decisões", explica a veterinária Frances Marie Tims, integrante do grupo TanatoVet e uma das idealizadoras do projeto.

Inspirado no jogo da SBGG, o "Patas na Mesa" é composto por um baralho com 24 cartas: 23 descrevem desejos e preocupação do tutor do pet e a última é uma espécie de curinga, para ser preenchida com uma vontade especial da pessoa que não esteja contemplada nas demais.

As cartas trazem afirmações como "Quero que o meu animal tenha alívio da dor e da falta de ar"; 'Não quero que meu animal morra sozinho"; ou "Não quero procedimentos médicos invasivos". O responsável pelo pet deve ler todas e separá-las em três montes (o número em cada monte é livre), com pesos diferentes: muito importante; mais ou menos relevante; sem importância.

O passo seguinte é revisitar as cartas e selecionar as que traduzem com maior fidelidade as angústias e os sentimentos do momento, e que vão funcionar como um guia para tornar menos difíceis as decisões a serem tomadas. No entanto, como explica Frances, o baralho se presta a diversos tipos de abordagem, podendo inclusive ser utilizado por psicólogos cujos pacientes enfrentam esse problema:

"Quando temos o diagnóstico de uma doença que ameaça a vida, é da maior relevância discutir as alternativas. Além de buscar o melhor para o bicho, não devemos esquecer que há também seres humanos sofrendo. Atualmente estamos assistindo a um boom de UTIs veterinárias e pensar na melhor opção inclui avaliar se valem a pena procedimentos invasivos para prolongar a vida do animal a qualquer custo".
Foto: Divulgação/TanatoVet
A veterinária Andrea Barbosa (no alto à esquerda) e, em sentido horário, a psicoterapeuta Paula German e as também veterinárias Frances Marie Tims e Rita Ericson: integrantes do TanatoVet