Aversão a Trump alimenta sonho marroquino em briga pela Copa de 2026

A aversão de certos países africanos e também asiáticos ao presidente norte-americano Donald Trump promete acirrar o pleito

A Copa do Mundo da Rússia começa amanhã, mas o que anda quente mesmo são os bastidores da Fifa, mas intensos até do que o não tão aguardado duelo entre Rússia e Arábia Saudita. Acontece hoje, em Moscou, o 68º Congresso da Fifa, no luxuoso Expocentre da capital russa. Lá estará em jogo o destino das duas candidaturas ao Mundial de 2026: o trio Estados Unidos, Canadá e México contra Marrocos. A disputa parece desigual. Só parece. Existe um certo clima de tensão no ar quanto aos rumos deste pleito, o primeiro aberto a todas as associações filiadas à Fifa. Um avanço. Antes o direito a voto se restringia apenas aos 22 membros do Comitê Executivo. A mudança é uma clara tentativa de evitar os escândalos de compra de votos que sempre dinamitaram a integridade da entidade. A Fifa, em sua análise prévia das candidaturas, elencou inúmeros pontos em que a tripla candidatura norte-americana leva vantagem em relação ao Marrocos. Mas o futebol é muito mais que bola rolando. É política. A aversão de certos países africanos e também asiáticos ao presidente norte-americano Donald Trump promete acirrar o pleito. A diferença, conforme noticia as agências internacionais, é bastante pequena entre os concorrentes.  Recentemente, Trump utilizou o Twitter, sua rede social favorita, para fazer pressão na votação de hoje. "Os Estados Unidos lançaram uma FORTE candidatura com Canadá e México para sediar a Copa do Mundo de 2026. Seria uma vergonha se países que temos apoiado fizessem lobby contra a nossa candidatura. Nesse caso, por que deveríamos continuar apoiando esses países (inclusive nas Nações Unidas)??. Para bom entendedor, a ameaça está sobre a mesa.  O comportamento do líder norte-americano gerou um mal estar nos corredores da Fifa, talvez o primeiro firme posicionamento de Trump em relação à Fifa. Os Estados Unidos lideram uma série de investigações contra a entidade, operações que culminaram na prisão do ex-presidente da CBF José Maria Marin.  A Copa do Mundo de 2026, ao menos no cronograma da Fifa, será a primeira com 48 países, algo que torna ainda mais impossível a realização de um torneio de tal magnitude no Marrocos. Para se ter ideia, das 14 cidades propostas pelo país africano para abrigar a Copa apenas duas possuem a quantidade mínima de leitos. Marrocos ainda precisaria erguer nove estádios.  O clima de rivalidade é tão grande na Fifa que os membros das candidaturas dos dois lados trocam farpas. Não há dúvida da capacidade de geração de receita com uma Copa do Mundo na América do norte. O Mundial de 1994, nos EUA, é até hoje o de maior público na história das Copas. Três milhões e meio de torcedores foram aos estádios. Os EUA também foram o país do mundo que mais adquiriu ingressos para a Copa da Rússia, seguido pelos brasileiros.  A tripla candidatura norte-americana também possui avaliação positiva da CBF, que comparecerá ao evento de hoje com o presidente da CBF, o coronel Alfredo Nunes, o presidente da Federação Pernambucana, Evandro de Carvalho, e o da Federação Piauiense, Cesarino Oliveira. Alfredo Nunes já adiantou que votará em Estados Unidos, México e Canadá. Em contrapartida a Trump, há também o interesse de empreiteiras europeias em tocar obras no fértil e rentável solo marroquino. Algo que não seria necessário na América do Norte, que já possui estádios em condições de sediar um Mundial. O desfecho desta novela será conhecido hoje. Há ainda a possibilidade das duas candidaturas serem vetadas pela Fifa, deixando que a decisão passe para o próximo congresso da entidade. Os Estados Unidos foram candidatos à sede da Copa do Mundo de 2022, mas acabaram perdendo para o Catar. A decisão é bastante contestada pelos norte-americanos, que acusam a Fifa de ter vendido votos para a escolha do país árabe.