Fifa promete tolerância zero a atos anti-desportivos na 1ª Copa com o VAR

Entidade não está preocupada com o tempo da revisão da jogada, mas exaltou a necessidade do replay para evitar as escandalosas marcações que sempre abalaram os Mundiais

"Esta é a Copa do Mundo da tecnologia, Esta é a Copa do Mundo do VAR", com essa mensagem clara, a Fifa abriu seu primeiro encontro entre árbitros e imprensa no Mundial. Um prenúncio do que a entidade planeja: o erro mínimo para evitar as escandalosas polêmicas de arbitragem que sempre abalaram as Copas. A tecnologia, enfim, chegou ao futebol e a Fifa quer que a Rússia seja o marco dessa mudança significativa na história da modalidade. 

A entrevista coletiva contou com a presença do suíço Massimo Bussacka, chefe do Departamento de Arbitragem da entidade, Pierluigi Collina, dirigente de arbitragem da Fifa, e os árbitros: o brasileiro Sandro Meira Ricci e o usbeque Ravshan Irmatov, detentor de recorde de já ter apitado nove jogos da Copa do Mundo. 

O VAR dominou boa parte do tempo do encontro. Muitas dúvidas foram levantadas pelos jornalistas após uma apresentação em quais momentos a tecnologia será utilizada. 

"Nosso objetivo é que todos falem o mesmo idioma, que sejamos claros. Queremos proteger o nosso jogo, a segurança dos jogadores, e proteger a imagem da Copa", disse Pierluigi Collina. 

A orientação da Fifa durante o encontro foi clara. ?Mínima interferência. Máximo benefício?, preconizou Massimo Bussacka. Desta maneira, a utilização do VAR vai se concentrar em claros e óbvios erros, cabendo ao árbitro sempre a decisão final. Os incidentes que serão revistos no replay serão os seguintes: gols, cartões vermelhos diretos, pênaltis e erros identificáveis.

Uma dos apontamentos do departamento de arbitragem da Fifa é que os auxiliares evitem levantar a bandeira em lances duvidosos, permitindo assim a revisão da jogada no VAR. 

O sistema vai contar com 33 câmeras espalhadas pelo estádio e 20 profissionais de arbitragem inteiramente dedicados aos lances que suscitem dúvidas. Wilton Pereira de Sampaio será o representante brasileiro no VAR. O tempo para a revisão da jogada não preocupa a comissão de arbitragem da Fifa. A ordem é neutralizar os erros. 

"Errar em um torneio como este faz com que você não apite nunca mais. Algo que ficará para sempre marcado. É como um jornalista errar em um texto. Isso vai te trazer problemas. É ótimo para os árbitros tera oportunidade de ver o lance novamente e encerrar qualquer tipo de dúvida", disse Bussacka, quando questionado se os árbitros estavam preparados psicologicamente para acatar a opinião de outros companheiros que vão acompanhar o jogo via VAR. 

Linha dura. A Fifa também promete tolerância zero em diversas ocasiões do jogo, dentre elas as relacionadas às condutas antidesportivas dos atletas. ?Estamos convencidos, não é uma experiência. Não há competição entre o árbitro e o VAR. Uma ferramenta que veio para apoiar em situações muito difíceis de ver com dois olhos e apenas alguns segundos. Nada vai escapar?, disse Bussacka. 

Cotoveladas, por exemplo, serão vermelho direto. Simulações de pênaltis renderão aos jogadores o cartão amarelo, o mesmo para discussões ríspidas de jogadores com o árbitro, algo que a Fifa quer coibir a qualquer custo. 

Árbitro. Em decisão comunicada na mesma coletiva de imprensa, a Fifa definiu que o argentino Néstor Pitana será o árbitro de Rússia e Arábia Saudita, marcado para o próximo dia 14, quinta-feira, duelo que dá o pontapé ao Mundial. Pistana será auxiliado pelos compatriotas Hernan Maidana e Juan Belatti. O quarto e o quinto auxiliares serão os brasileiros Sandro Meira Ricci, que estava cotado para a apitar justamente o jogo inaugural, e Emerson de Carvalho.