Para 45%, Estado não é eficaz em nenhuma área

Entre os entrevistados, apenas 3,7% classifica a educação pública como boa

A pesquisa Minas no Brasil de 2018, projeto desenvolvido pelo jornal O TEMPO em parceria com o Grupo Mercadológica, mostra que a maioria esmagadora da população mineira acredita que o Estado não é eficiente em nenhuma área. Além disso, foi constatado que os entrevistados, em ampla maioria, avaliam que o governo presta os piores serviços na área da saúde.

Os participantes foram questionados sobre qual área eles consideram o poder público mais eficiente, e 45,3% dos entrevistados declararam que o governo não é eficiente em nenhum setor, enquanto outros 5% nem mesmo souberam apontar uma área. Entre os que assinalaram alguma opção específica, a saúde foi a mais citada, com 10,2%. 

Todas as outras opções apresentadas registraram índices abaixo de dois dígitos. Segundo a pesquisa, 8,6% dos mineiros acreditam que o governo é eficaz na gestão de empresas de energia, e 5% no fornecimento de água. Outros 6,3% responderam que o Estado é competente com a segurança pública. Apenas 1,8% assinalaram que o Executivo é efetivo na área do saneamento.

Ainda conforme a pesquisa, somente 3,7% avaliaram que o governo presta bons serviços na educação. Os índices ficam ainda menores quando se trata de transporte, mesma área que os mineiros se mostraram mais favoráveis à privatização. Para 2,9% do eleitorado, o governo é eficaz na gestão de aeroportos, enquanto que 2,7% disseram que é na administração de estradas. Outros 2,6% analisaram que a melhor gestão é no controle do transporte coletivo.

Outra pergunta feita foi sobre qual área eles consideram o Estado menos eficaz. Pouco mais da metade dos entrevistados, com 50,2%, acredita que é na saúde. Depois aparecem educação (16,6%) e segurança (15,2%). A parcela de 4,4% respondeu que é em todos os segmentos, enquanto que 2,9% não souberam opinar, e apenas 0,7% consideraram que o governo não é eficiente em nenhum setor.

A pesquisa mostra ainda que 2,4% disseram que o Estado é ineficaz na gestão de bancos, 2,2% na administração de estradas, 2,1% no comando do transporte, e 0,7% no controle de aeroportos. Os que afirmaram que o Executivo é ineficiente com o saneamento básico soma 1,8%, com as empresas de energia chega a 0,6% e com o fornecimento de água o percentual é de 0,3%.

Antônio Carlos, 39, é um dos que criticam a administração feita pelo poder público. ?Tem muitos políticos corruptos e eles estão deixando a desejar. Com a saúde eu enfrento dificuldade demais. Consultar é um sacrifício?, afirmou. Quem faz coro a essa avaliação é Antônio Dias da Silva, 59. ?Não temos pessoas decentes para liderar esse país, que está bagunçado. Tem muita gente sofrendo por falta de médicos?, declarou. (Com Lucas Henrique Gomes)

Panorama

Série. A quinta edição da pesquisa Minas no Brasil de 2018, realizada pelo jornal O TEMPO e o Grupo Mercadológica, vai mostrar ao longo dessa semana outros recortes do levantamento sobre privatização. 

Reportagens. Entre os temas a serem abordados nos próximos dias estão se o Estado deve controlar, por meio de leis, a concorrência e a publicidade das empresas privadas, e se o poder público deve controlar os preços de produtos e serviços praticados pelas companhias privadas.