Uma festa de arromba

Depois de conquistar o público no eixo Rio-SP, documentário-musical chega a Belo Horizonte

O espetáculo ?60! Década de Arromba?, que cumpre temporada em Belo Horizonte desta sexta (1) a domingo (3), no Grande Teatro do Sesc Palladium, revela, em seu subtítulo, o gênero ao qual filia-se: um ?Doc. Musical?. Que fique claro, pois: a montagem, que reúne 24 cantores-atores em um elenco capitaneado pela musa da Jovem Guarda, Wanderléa, não é um musical convencional.



Aliás, cabe dizer que foi exatamente a possibilidade de se aventurar em um novo formato que atraiu a cantora. ?Já há algum tempo o Frederico Reder (produtor e diretor) queria trabalhar comigo e, inicialmente, me sondou sobre a ideia de um musical?, rememora a eterna Ternurinha, que, confessa, titubeava. ?Porque esse formato demanda muito tempo de preparo. Mas ficamos meio que ?namorando? durante um ano?, diz ela.



O que fez Wanderléa capitular foi justamente a readequação do projeto. Em vez de um musical tradicional, ?Década de Arromba? entra em cena dispensando, por exemplo, o calço de uma dramaturgia ? assim, não há diálogos. Em contrapartida, se vale de uma série de recursos inerentes aos documentários ? fotos, vídeos e depoimentos reais ? para colocar os anos 60 em repasse. ?Essa solução me agradou muito. Seria eu fazendo eu mesma, e (o projeto) lembraria todos os grandes acontecimentos dos anos 60, como a chegada do homem à Lua?, destaca.



Não fosse suficiente, Wanderléa também se encantou pelo esmero na produção. Dirigido pelo já citado Reder, com roteiro e pesquisa de Marcos Nauer, o espetáculo se vale de 20 cenários, 300 figurinos e dez toneladas de materiais de cenário, luz e led. ?São cento e tantas perucas. E três caminhões de 11 metros para viajar pelo país?, detalha a cantora. ?O Frederico é uma pessoa muito criteriosa, optou por viajar com o espetáculo no formato original. Tudo com muito cuidado para que seja apresentado em outras praças como foi no Rio e em São Paulo?, acrescenta. O diretor confirma: ?Isso é importante dizer. Porque, geralmente, quando um espetáculo assim viaja, vai numa versão mais reduzida.



Vale ressaltar que ?60! Década de Arromba - Doc. Musical? não tem como enfoque a Jovem Guarda. Ou apenas o movimento. Na verdade, insere-se em um projeto maior, uma espécie de saga, que pretende dividir a história do país em vários espetáculos, cada um retratando uma década, e pinçando dela um elemento icônico para nortear a narrativa ? no caso dos anos 60, a TV. Ou seja, outras montagens virão, na sequência. ?Essa primeira, devemos finalizar em julho, e em outubro já devemos estrear a dos anos 70. Mas o ideal seria que a gente pudesse ter todas (em cartaz, simultaneamente), para que o público pudesse assistir em ordem cronológica, pois é a arte tentando contar a história?, destaca o diretor. 



O prólogo de ?60! Década de Arromba? localiza-se no ano de 1922, lembrando a chegada do rádio no Brasil. Na sequência, flagra o advento da televisão e, num segundo momento, da popularização do aparelho, ocorrida na década de 60. A partir daí, os acontecimentos do período são colocados em repasse por meio de mais de cem canções, dos mais diversos gêneros.



O roteiro musical inclui temas como ?Blue Moon?, ?La Bamba?, ?Je Ne Regrette Rien?, ?Yellow Submarine?, ?Beijinho Doce?, ?Lata D? Água?, ?Travessia?, ?Ponteio?, ?Nós Somos Jovens?, ?Filme Triste?, ?Prova de Fogo?, ?Pare o Casamento? e ?Calhambeque?, entre outras. Wanderléa, a quem Reder identifica como uma precursora do feminismo no Brasil, conta que faz seis entradas no palco, ?em momentos estratégicos do espetáculo, e com figurinos distintos?.



Agenda



O quê. Espetáculo ?60! Década de Arromba - Doc. Musical?



Quando. Nesta sexta (1) e sábado (2), às 20h30, e domingo, às 18h



Onde. Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046, centro)



Quanto. Ingressos variando entre R$ 25 (meia, plateia 3) e R$ 140 (inteira, plateia 1)