Homem cego é indiciado por estuprar e engravidar duas vezes a enteada em Betim

Os crimes aconteceram durante 4 anos e o suspeito confessou ser pai das duas crianças da vítimas, mas negou tê-la ameaçado

Foi indiciado pela Polícia Civil (PC) na última quarta-feira (19) um homem de 37 anos, que é completamente cego desde os 17, por estuprar e engravidar a enteada duas vezes, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os crimes aconteceram entre 2016 e 2020 e tiveram início quando a vítima tinha apenas 11 anos.

Segundo as investigações da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) do município, os atos libidinosos do suspeito contra a menina começaram com ele passando a mão pelo corpo dela e terminaram com a conjunção carnal, quando ela completou 12 anos.

Os estupros aconteciam sem uso de preservativo e a vítima, que era virgem e nunca tinha namorado, precisou ser levada com fortes dores para um hospital em 2017. Na unidade de saúde, acabou sendo constatada a primeira gravidez e a necessidade imediata do parto.

“À época, a adolescente alegou que teria sofrido um estupro de um homem desconhecido na rua, mas não soube fornecer características que o identificassem. A representante legal e a adolescente negaram saber da gravidez, acreditando que o uso de corticoide seria o responsável pelo ganho de peso”, contou a delegada Ariadne Elloise Coelho, responsável pelo inquérito.

Cerca de 2 anos depois do nascimento do primeiro filho da garota, a adolescente voltou a engravidar, o que acabou gerando a desconfiança da família contra o padrasto. Ouvida novamente na delegacia, a vítima então confirmou ter sido estuprada desde 2016, mas alegou que teve medo que as pessoas achassem que ela aceitava a situação.

“Ela disse que, depois que teve o primeiro filho, o padrasto falou para ela não contar para ninguém, do contrário, elas passariam fome, já que ele era o único que trabalhava”, pontua a delegada.

DNA confirmou paternidade

Ainda conforme a PC, a paternidade do suspeito foi confirmada por meio de teste de DNA e, depois disso, ele foi expulso de casa. Em novo depoimento, a mãe disse nunca ter desconfiado do marido, que criou a vítima desde bebê. Entretanto, a mulher disse ainda que a filha era muito calada em casa e nunca tinha namorado.

Ainda durante as investigações, uma cunhada da menina relatou que desconfiava do comportamento do homem, já que teria visto ele dando um selinho na adolescente. Além disso, após o nascimento do bebê, ela disse ter percebido muitas semelhanças da criança com o suspeito.

O homem compareceu à PC acompanhado de um advogado e confessou ter mantido relações sexuais com a enteada por cerca de 4 anos e que era pai das crianças, mas negou tê-la ameaçado.

O inquérito com o indiciamento do autor foi encaminhado à Justiça e a vítima é acompanhada por psicólogos.