Matipó chora a morte de um de seus filhos mais ilustres


Foi sepultado no início da tarde deste sábado, 13, em Matipó, Zona da Mata, o empresário Francisco Anízio Gardingo. Ele tinha 62 anos e morreu na manhã desta sexta-feira, 12, em virtude de complicações causadas pela Covid-19, doença pela qual havia sido contaminado há cerca de um mês. O velório, que começou pouco antes da meia noite desta sexta-feira, foi realizado na quadra poliesportiva do Italogard Club, um dos empreendimentos da família e levou milhares de pessoas. Cada uma, à sua maneira, foi prestar suas homenagens ao amigo, ao patrão, e companheiro de tantos fatos e versões da história da pequena cidade de 20 mil habitantes, localizada a cerca de 250 Km de Belo Horizonte e a 180 Km do Vale do Aço.

Anízio, como era conhecido na cidade, era um dos quatro filhos homens e nove mulheres do casal Henrique e Alice Gardingo. Ele também era tio do atual prefeito da cidade, Fabinho Gardingo. Na infância e adolescencia, trabalhou com o pai e os irmãos "na roça", plantando café, tomate e mantendo uma pequena criação de animais, na fazenda Santa Maria, que fica na saída da cidade, na estrada que leva a Raul Soares. Em 1977, ele e os irmãos abriram o primeiro supermercado de Matipó, o São João, um dos primeiros da região naquela época. O espaço deu origem aos demais negócios da família, construído ao lado dos irmãos João Batista, Sebastião (Taozinho) e Carlos.

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Anízio - segundo (e-d), era uma dos mais conhecidos e conceituados empresários da parte norte da Zona da Mata


Hoje, os Gardingo são donos de um verdadeiro conglomerado de negócios que passam por uma faculdade - Univértix; produção, compra e venda de café, com mais de 1 milhão de sacas comercializadas anualmente para o exterior e mercado interno; engarrafadora de água mineral - cuja fonte - fica na fazenda Santa Maria, de propriedade da família; um distribuidora de produtos alimentícios e cerais; uma fábrica de laticínios, dentre outros, empregando milhares de pessoas na Zona da Mata, no Vale do Rio Doce, e no Sul de Minas.

No início dos anos 80, Anízio gravou um disco - um compacto com quatro músicas, de composição de Antônio Hudson. A obra entretanto, não foi um sucesso de vendas. Um fato curioso sobre o compacato é que Anízio queria lançá-lo sob o pseudônimo de "Chico Anísio", mas foi impedido pelo fato da alcunha já pertencer ao famoso humorista da Rede Globo.

Mas, a paixão pela música continuou viva em Anízio, que, já maduro e realizado os negócios, ensaiou algumas parcerias musicais, sendo a mais famosa Rasgando as Madrugadas, onde divide a composição com o cantor Eduardo Costa, o qual também patricionou no início de sua carreira, uma vez que o artista foi criado na vizinha cidade de Abre Campo e sua avó materna reside em Matipó, na famosa na "Palhada." (Quem é de Matipó sabe o que significa).