Depois de mais de 70 anos, Alitalia encerra suas operações

Companhia foi símbolo do milagre econômico da Itália depois da Segunda Guerra Mundial, mas chegou à beira da falência em 2017


Agora é oficial e para os saudositas da aviação comercial uma triste notícia. A principal companhia aérea italiana, a Alitália, enceerrou este mês suas operações, depois de 74 anos de história, termina, assim, uma trajetória de sucessos, mas também de contínuos fracassos na sua gestão, com perdas bilionárias aos cofres estatais. Em seu currículo, ficarão registrados, por exemplo, o transporte de volta para casa das seleções italianas campeãs do Mundo em 1982 e 2006, além de levar os papas, desde Paulo VI, em 169 viagens internacionais.

No seu lugar, entrará uma nova empresa, a ITA (Itália Transporte Aéreo), com 52 aeronaves e 3 mil funcionários, uma empresa totalmente estatal. Mas os serviços de terra e de manutenção serão vendidos de maneira separada, por meio de licitações, como exigiu a União Europeia nas duras negociações com Roma. A Comissão Europeia aprovou em setembro uma injeção de 1,35 bilhão de euros (1,566 bilhão de dólares) de fundos públicos. Mas exigiu a "descontinuidade econômica" entre Alitalia e ITA, isentando a última da devolução dos "auxílios estatais ilegais" recebidos por sua antecessora. Ao longo dos anos, o Estado italiano desembolsou mais de 13 bilhões de euros (quase 15 bilhões de dólares) para tentar salvar a empresa, entre recapitalizações e créditos. Mesmo assim, a Alitalia acumulou perdas de 11,4 bilhões de euros (13,2 bilhões de dólares) entre 2000 e 2020. O famoso logo verde sobre fundo branco da Alitalia não vai desaparecer, pois a ITA venceu na quinta-feira a licitação para sua compra ao pagar 90 milhões de euros (104 milhões de dólares).

Fundada em 5 de maio de 1947, a Alitalia (Asas da Itália na tradução para o português) foi o símbolo do milagre econômico da Itália após a Segunda Guerra Mundial e se tornou a sétima companhia aérea do mundo nos anos 1970, antes de entrar em um longo declínio, que se agravou nos últimos anos. A história da empresa está entrelaçada com a do país: as primeiras comissárias de bordo vieram em 1950, a Alitalia foi a empresa de transporte oficial dos Jogos Olímpicos de Roma em 1960, superou a marca de 1 milhão de passageiros e Antonella Celletti foi a primeira mulher que pilotou um de seus aviões, em 1989.

Desde que a Alitalia ficou sob supervisão pública, há quatro anos, o governo procurou, em vão, compradores. No passado, porém, a Alitalia atraiu grandes pretendentes, como a Air France-KLM, que apresentou uma oferta em março de 2008, rejeitada por Silvio Berlusconi, que assumiu o poder logo depois com base em uma campanha sobre a defesa da "italianidade". Resgatada por um grupo de empresários italianos, a Alitalia precisou de um novo resgate em 2014 por parte da empresa Etihad (Emirados Árabes), que adquiriu 49% de seu capital, o que não freou a trajetória rumo ao colapso.