Vale suspende operações em mina por questões ambientais


A Cia. Vale do Rio Doce anunciou nesta segunda-feira, 4, que paralisou as operações em Onça Puma, sua maior mina de níquel no Brasil, que há anos é questionada por poluir a Amazónia, após as autoridades locais suspenderam a sua licença ambiental. A mineradora, uma das maiores produtoras de ferro e níquel do mundo, informou em nota que as operações foram paralisadas tanto na mina quanto na fábrica de beneficiamento após a Secretaria do Meio Ambiente do estado brasileiro do Pará notificar a suspensão da licença. Segundo a empresa, o órgão regulador ambiental alegou que a autorização para operar foi suspensa devido ao suposto incumprimento das condições da licença.

A empresa já havia sido obrigada a suspender suas operações em Onça Puma em 2017 por problemas ambientais, mas em 2019 foi autorizada a reiniciar a exploração de níquel na região após o Supremo Tribunal Federal analisar diversos relatórios técnicos que afastavam a responsabilidade da empresa na poluição. Desde o início das operações, a Vale nega ter causado danos ambientais ou atuar em áreas que poderiam afetar os indígenas da etnia Xikrin.

A Vale informou no comunicado que ainda não calculou os impactos económicos que poderá sofrer com a suspensão das operações de sua mina de níquel ou os possíveis danos que todos os seus fornecedores sofrerão no projeto.

A empresa disse ter contactado o secretário regional do Meio Ambiente do Pará para “conhecer os fundamentos técnicos e jurídicos da decisão, bem como para tomar as eventuais medidas administrativas e judiciais no sentido de reverter a ordem de suspensão das operações da empresa”. Segundo porta-vozes da secretaria, a Vale descumpriu algumas exigências quanto à oferta de serviços como fibra ótica e postos de saúde nos de Ourilândia do Norte, Tucumã, Água Azul do Norte, Parauapebas e São Félix do Xingu, que ficam na região da mina.

Onça Puma é uma das maiores minas de níquel do Brasil, com capacidade de produção de até 53.000 toneladas por ano. No primeiro trimestre, a mina produziu 6.300 toneladas, quase um oitavo das 48.500 toneladas de níquel que a Vale produziu no período no mundo, principalmente no Canadá, Indonésia e Nova Caledónia.