Deu a lógica no clássico, mas poderia ter sido mais simples

Por: Victor Eduardo*

Bruno Cantini/Atlético


Para quem esperava um clássico sofrível, comparável àquele disputado no returno do último Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro e Atlético deste sábado surpreendeu. Não que tenha sido uma partida de alto nível técnico ou tático, mas as duas equipes, mesmo com todos os seus problemas, proporcionaram um bom entretenimento às suas torcidas.

O favoritismo, claro, era do Atlético, dono de um elenco muito superior e também do mando de campo, já que 90% dos presentes no Mineirão eram atleticanos. Mas os comandados de Adilson Batista foram muito dignos e poderiam ter saído com um resultado melhor, principalmente pelo segundo tempo.

Na primeira etapa, o jogo começou equilibrado e sem muitos espaços, mas o Galo dominou quando Allan passou a comandar as ações, acionando os meias e laterais através de passes longos ou curtos. A movimentação de Nathan nas costas dos volantes do Cruzeiro também confundiu um pouco a marcação celeste, mas poucas chances concretas foram criadas.

O Cruzeiro foi ainda mais tímido. Se defendia razoavelmente bem, mas saía com pouca gente. Moreno, coitado, se viu isolado durante boa parte do tempo, e era obrigado a sair da área para também participar da brincadeira. O jogo só começou a ficar mais interessante a partir do primeiro gol atleticano, em lindo calcanhar de Igor Rabello.

Apesar da beleza do tento, o comportamento da marcação cruzeirense no escanteio foi inadmissível. Se você vai para um jogo no qual é muito inferior ao adversário, não pode se permitir tomar um gol como esse. E se estava com dificuldades para jogar com o jogo empatado, quando esteve atrás do placar o Cruzeiro sofreu ainda mais para ameaçar a meta de Victor.

O problema foi o comportamento do Atlético no segundo tempo. Ao invés de ir pra cima e tentar matar o jogo, se recolheu e confiou na limitação do rival. Percebendo esse momento do jogo, Adilson colocou o atacante Thiago, que se juntou a Marcelo Moreno e aumentou a imposição física cruzeirense na área atleticana. Desta forma saiu o gol de empate.

A formação com dois atacantes, inclusive, pode ser uma boa saída para o jogo cruzeirense. Ao “modo Burnley”, pequena equipe inglesa dona de um jogo rústico, mas competitivo, o Cruzeiro foi bem no primeiro tempo contra o Boa Esporte e nos 45 minutos finais contra o seu maior rival. As atuais peças do elenco parecem mais afeitas a esse estilo de jogo do que com a bola no chão.

E quando o Cruzeiro parecia mais próximo do empate, ou até mesmo a vitória, Otero, um dos melhores em campo, achou um chutaço que definiu a vitória atleticana.

O resultado, no final, não surpreende nem o mais otimista dos cruzeirenses. Apesar da bagunça comandada por Sette Câmara, o Galo possui um elenco bem superior ao do seu rival, e tinha todo o clima no estádio a seu favor. A vitória, além de trazer a vice-liderança momentânea, oferece ambiente mais tranquilo para a chegada de Jorge Sampaoli.

No Cruzeiro, permanecem alguns alertas e surgem boas notícias. A marcação na bola parada vem sendo problemática, mas Moreno e Thiago mostram bom entendimento. Jadsom, ao contrário de quarta-feira, foi muito bem, e Edilson deu bom retorno na lateral.

Não foi o jogo dos sonhos, mas o necessário para ambas as equipes. Ainda há muito a melhorar...

Abaixo, as notas dos protagonistas de mais um clássico mineiro:

Victor – Nota 6
Fez duas grandes defesas, uma em cabeçada de Moreno no primeiro tempo, e outra em cobrança de falta do Edilson no segundo, mas a bola do gol cruzeirense era defensável.

Guga – Nota 3
Mal no apoio e pior ainda na marcação. Um dos piores jogadores no lado atleticano.

Igor Rabello – Nota 7,5
Marcou um golaço e falhou no lance do adversário. Mas, no geral, fez partida segura.

Gabriel – Nota 6
Fez partida ok.

Allan – Nota 7
Bem no primeiro tempo, quando comandou as ações do ataque atleticano. Caiu no segundo, como toda a equipe.

Jair – Nota 6
Partida tímida. Chegou poucas vezes no ataque e nem foi tão bem na marcação.

Nathan – Nota 5
Bem no primeiro tempo quando circulou com liberdade nas costas dos volantes cruzeirenses. Mal no segundo, quando deveria ter saído.

Otero – Nota 8
Ativo, prendeu muito a bola em alguns momentos, mas sempre participou do jogo, além de ser ameaça constante na bola parada. No gol da vitória, começou e concluiu toda a jogada.

Severino – Nota 7
Alternou bons e maus momentos, mas foi bem para um primeiro clássico. Sua saída (injustificável) no segundo tempo foi um dos motivos para a queda do ritmo atleticano.

Ricardo Oliveira – Nota 3
Quase não foi notado.

Cazares – Nota 5
Perigoso em algumas bolas levantadas na área, mas mostrou pouco.

Diego Tardelli – Nota 6
Até mostrou alguma movimentação, mas sua entrada não impactou tanto no jogo como se esperava.

Marquinhos – Nota 8
Teve uma bola e deu a assistência pro gol da vitória. Precisa de mais?

Fábio – Nota 7
Fez pelo menos duas ótimas defesas e não pôde fazer nada nos gols atleticanos.

Edilson – Nota 7
Ficou pendurado muito cedo, o que comprometeu sua marcação em alguns momentos, mas, no geral, foi firme, se controlou e ainda se mostrou uma das principais armas ofensivas do Cruzeiro. Deu a assistência para o gol de empate.

Arthur – Nota 6
Tem dificuldade com a bola nos pés, mas fez partida firme.

Cacá – Nota 6,5
Em relação a outras atuações do ano, foi melhor neste sábado, mas carrega com seus companheiros a falha clamorosa no gol de Igor Rabello.

João Lucas – Nota 4
Apesar de ter feito um bom cruzamento para cabeçada de Marcelo Moreno no primeiro tempo, marca muito mal e é sofrível com a bola nos pés. Posição que necessita de reforços para o restante do ano.

Edu – Nota 6
Fez bem o feijão com arroz, não dá para exigir muito.

Jadsom – Nota 6,5
Mal contra o Boa Esporte, mostrou mais segurança no clássico, tendo melhor noção dos espaços na marcação e saindo com mais qualidade pro jogo.

Pedro Bicalho – Nota 5
Foi quem mais teve dificuldades na marcação, além de ter oferecido pouco ofensivamente.

Maurício – Nota 4
Caiu de produção nos últimos jogos, parece estar sentindo a parte física. Apesar disso, não o tiraria do jogo, pois tem qualidade para decidir em lances isolados.

Everton Felipe – Nota 3
Um dos piores em campo. Toma muitas decisões erradas e deveria ter sido sacado da equipe.

Marcelo Moreno – Nota 7,5
Um lutador. Impressiona como corre durante o tempo inteiro, sem desistir de uma bola. Cresceu ainda mais quando teve com quem jogar no segundo tempo.

Jonatha Robert – Nota 6
Sua entrada melhorou um pouco a circulação de bola cruzeirense, mas não foi muito além disso.

Thiago – Nota 8
Mostrou muita personalidade, marcou o gol de empate e quase deu a assistência para a virada. Pode formar boa dupla de ataque com Marcelo Moreno.

Jean – S/N
Teve pouco tempo de jogo para uma avaliação mais concreta.

*Victor Eduardo é jornalista e escreve semanalmente neste espaço