Desta vez a camisa salvou, mas o futuro do Cruzeiro se mostra preocupante

Por: Victor Eduardo*

Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro


Muita gente duvida desse papo de força da camisa, que ela pode ser capaz de decidir jogos aparentemente impossíveis de serem vencidos. Este que vos escreve sempre acreditou nisso. Claro que estamos falando de algo abstrato, afinal, quem marca gols ou os impede continua sendo os jogadores, mas é difícil não creditar alguns feitos ao peso dos clubes envolvidos.

O jogo deste domingo entre Cruzeiro e Uberlândia foi um exemplo. Mesmo saindo na frente, a equipe de Adilson Batista não controlou as ações em nenhum momento. E, além de não ameaçar a meta do goleiro Rafael, ainda concedeu muitos espaços ao time do triângulo mineiro.

De positivo, a boa atuação de Marcelo Moreno. Isolado, o novo/velho atacante cruzeirense se viu obrigado a sair da área em vários momentos, cumprindo funções que nunca foram suas especialidades. E foi só. Por mais limitado que seja o elenco, o Cruzeiro de Adilson Batista é muito desorganizado, mostra poucas ideias ofensivas e marca mal.

As ações dos jogadores em campo parecem aleatórias, com pouco entendimento sobre quando adiantar a marcação ou esperar dentro do próprio campo. E como qualquer ação aleatória, você está sujeito a acertos, mas muito mais propício aos erros.

O gol de empate do Uberlândia no segundo tempo já se mostrava previsível e parecia ter decretado mais um tropeço cruzeirense no campeonato. Mas aos 43 minutos Arthur subiu muito e reescreveu a história do jogo. E se alguém ainda duvida da força que um manto como o do Cruzeiro pode ter, o pênalti defendido por Fábio aos 47 da etapa final veio só para ratificar.

O Cruzeiro, não só como time, mas como instituição, precisa rever algumas posturas se quiser conseguir o acesso à Série A em 2020. No âmbito administrativo, ser menos político e mais radical, cortando qualquer tipo de relação com o grupo que o afundou e deixando de lado a vaidade, terrível obstáculo para a sonhada reconstrução.

No campo, se não pode contar com jogadores de bom nível, Adilson Batista tem a obrigação de formar um time minimamente organizado. É absurdo para qualquer equipe cometer um pênalti logo depois de uma saída de bola, principalmente nos acréscimos do segundo tempo. Se mantiver esse nível de jogo, sofre sérios riscos de não subir.

A camisa é pesada. Já ajudou em missões que se mostravam muito mais complicadas que um simples acesso à primeira divisão, mas não pode atuar sozinha. Se almeja se reconstruir, o Cruzeiro precisará de muito mais de todos os envolvidos. Do campo aos escritórios.

*Victor Eduardo é jornalista e escreve semanalmente neste espaço