Dudamel não se ajudou, mas o principal culpado continua no Atlético

Por: Victor Rodrigues*

Quarta colocação no Campeonato Mineiro, eliminação precoce da Sul-Americana, vexame na Copa do Brasil e Dudamel não é mais técnico do Atlético. Por mais que as dificuldades já fossem previstas assim que foi feito o anúncio de sua chegada, ninguém esperava um início de trabalho tão ruim do venezuelano.

A insistência em alguns jogadores contestados, como Di Santo e José Welison, e a falta de um padrão de jogo pesaram bastante para a demissão do treinador. Nos bastidores, informações dão conta que sua relação com o grupo de jogadores também não era boa. Diante disso, a dispensa não parece algo absurdo.

Porém, analisando o contexto de maneira mais ampla, é outra troca de treinadores da gestão Sette Câmara, outro projeto interrompido no meio do caminho. Desde 2017, quando assumiu a presidência do clube, já foram seis trocas de comandantes. Nesse meio tempo, 238 dias sem um profissional efetivo no cargo.

Impossível chegar a algum lugar dessa forma. Sette Câmara acumula escolhas ruins, que não apresentam nenhum tipo de critério. Já passaram pela Cidade do Galo trabalhos com filosofias totalmente distintas entre si, jogadores com pouco destaque em outros clubes e outros que vivem momento de derrocada em suas carreiras. Uma amostra do despreparo e a falta de entendimento do que é o futebol por parte do presidente.

Em ano de reeleição, a situação tende a piorar ainda mais. Um exemplo? A austeridade financeira, tão pregada pela gestão atual, parece ter sido abandonada em 2020, já que foram gastos, aproximadamente, 50 milhões de reais em reforços. Ainda houve uma tentativa fracassada de tirar o venezuelano Soteldo do Santos, em transferência que custaria muito dinheiro a uma instituição em situação financeira preocupante.

Os nomes ventilados para substituir Dudamel demonstram a falta de rumo. Mano Menezes vem sendo especulado, mesmo depois de um 2019 muito ruim. Cuca, cuja história no clube é irretocável, também aparece como um dos candidatos, sem que sejam levados em conta seus trabalhos mais recentes, o mais assustador deles no São Paulo, quando parecia comandar um bando. Sua contratação seria por puro saudosismo e populismo, se apegando apenas às belas histórias escritas em 2012 e 2013 e ignorando o fato de que já se passaram sete anos desde que aquilo aconteceu.

Além de Dudamel, também deixaram o clube o diretor de futebol Rui Costa e o gerente e ídolo da torcida Marques. Dispensas necessárias, mas que ainda não são suficientes. A mais importante delas deveria ser justamente a de quem está lhes encabeçando, o maior responsável pelos desempenhos pífios do clube nos últimos anos, o presidente Sérgio Sette Câmara.

*Victor Eduardo é jornalista e escreve semanalmente neste espaço.