A Dudamel o que é de Dudamel

Por: Victor Eduardo*

Fotos: Bruno cantini / Agência Galo / Atlético


Não, o Atlético não está jogando o que deveria estar jogando neste início de ano. Sim, algumas escolhas de Rafael Dudamel merecem ser questionadas. Assim como também devemos assumir que tirar do treinador opções como Cazares, Luan e Chará e deixá-lo com Marquinhos, Hyoran e Di Santo não é lá um grande favor.

Mesmo que as dificuldades de um desafio em um novo país fossem previstas, o início de ano ruim já parece deixar o treinador venezuelano na corda bamba. Na Sul-Americana, situação delicadíssima, com a missão de reverter um 3 a 0 sofrido no primeiro jogo contra o Union Santa Fé, da Argentina. No Campeonato Mineiro, um terceiro lugar com metade dos jogos da primeira fase já disputados.

Porém, se tratando de um trabalho novo, que começou do zero, é importante analisar jogo a jogo, percebendo possíveis evoluções ou erros que persistem em aparecer. No jogo deste domingo, a criação de jogadas não foi o problema. O Atlético teve inúmeras chances de ir além do tento marcado por Igor Rabello, mas parou na incompetência dos seus jogadores. Técnico não faz gol.

A marcação frágil e a recomposição defensiva lenta, por outro lado, continuam a ser um ponto negativo, cujo principal culpado é o treinador. Além da lentidão de alguns atletas, o distanciamento entre os setores não permite à equipe recuperar a bola rapidamente ou reconstruir suas linhas de marcação. Não era raro ver contra-ataques com jogadores no mano a mano.

Consertar isso é fundamental, principalmente para a quinta-feira, já que um gol do Union deixa a situação ainda mais complicada. Como o fazer nesse turbilhão de emoções, com a cobrança vindo de todos os lados, é uma pergunta difícil de responder.

Em um clube que tem se notabilizado por moer vários treinadores nos últimos anos, Dudamel precisa ter muita frieza para superar uma pressão pela qual nunca havia passado na carreira, além de repensar algumas escolhas, como a titularidade de José Welison.

São dificuldades naturais para um profissional com pouca experiência no futebol de clubes e trabalhando em um país diferente. Mas estamos falando do Brasil, da pressão pelo resultado o tempo todo, independente do contexto. Ainda estamos no dia 17 de fevereiro e o trabalho do venezuelano já parece ter prazo de validade.

*Victor Eduardo é jornalista e escreve semanalmente neste espaço.