Fidelização do torcedor é importante, mas Cruzeiro ainda fez pouco para se reconstruir

Por: Victor Eduardo

Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro


O dia 26 de maio de 2019 ficou marcado na história do Cruzeiro. Naquele dia, uma reportagem bombástica feita pelos jornalistas Rodrigo Capelo e Gabriela Moreira foi veiculada em rede nacional e escancarou todos os atos sórdidos que vinham sendo cometidos dentro do clube.
Se a reportagem em si já era suficiente para gerar a revolta do torcedor, além do afastamento e eventuais punições para os responsáveis, o inédito rebaixamento para a Série B simbolizou a pior crise já vivida pela instituição que em 2021 irá comemorar seu centenário.

Desde então, alguns movimentos foram feitos, como a saída dos principais “cabeças” da chapa que levou o clube ao fundo do poço e a chegada de um núcleo transitório, até então conduzido pelo empresário Pedro Lourenço, que abandonou o barco. Porém, ainda é muito pouco diante do tamanho do problema.

O buraco em que o Cruzeiro se enfiou não é culpa de apenas três, quatro nomes. Hoje, o clube é dominado por um grupo que dele se apropriou e que não parece ter a menor preocupação em ceder à pressão da torcida. Nomes precisam ser citados, fatos precisam ser elucidados e toda a transparência que faltou ao clube nos últimos anos precisa vir à tona.

O ato mais recente nessa tentativa de reestruturação é uma nova modalidade de sócio-torcedor nomeada de “sócio reconstrução”, cujo principal objetivo é encontrar uma alternativa de arrecadação para um clube que teve todas as suas receitas antecipadas de maneira criminosa. A expectativa? Atingir 100 mil sócios e um faturamento mensal de 1,2 milhões de reais.

A tentativa é válida, mas não pode ser o carro-chefe das mudanças necessárias ao Cruzeiro. O torcedor, apaixonado que é, fará a sua parte e injetará dinheiro no clube, mas o tal núcleo transitório precisará ser mais firme e rápido nas suas decisões. Muita gente ainda deve ser afastada e condenada, sem a possibilidade de um diálogo ou tentativas de acordo.

Essa é a receita para o Cruzeiro voltar o mais rápido possível a ser o protagonista que sempre foi. Por parte do torcedor, amor e cobrança. Dos dirigentes, ações, planejamento e pulso firme.

*Victor Eduardo é Jornalista