Sob a liderança de McCartney, os Beatles tentam se reagrupar...Mas...

Por: Ronildo Bacardy

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Paul tentava manter os outros no rumo certo, mas essa era uma tarefa ingrata.


Como dissemos na coluna anterior, JPG&R estavam animados com o sucesso de Hey Jude e o clima de gravação quando “um monte de gente” apareceu para cantarem os versos famosos “Na na na na na....”, então deram inicio a um projeto ambicioso: Filmar e gravar ao mesmo tempo, eles ensaiando e cantando.

De cara, problemas atormentaram o projeto. Como a banda queria filmar os ensaios – que ficariam conhecidos posteriormente como “as sessões de ‘Get Back'”, nome original da ideia que seria lançada como Let It Be – a banda teve de se estabelecer no Twickenham Film Studios, o que significava que tinham de obedecer aos horários de trabalho determinados pelo sindicato (das 9h às 17h), que de maneira alguma coincidiam com o horário de trabalho dos Beatles.

Nada disso teria sido tão ruim se eles tivessem conseguido manter o entusiasmo, mas na manhã de 2 de janeiro de 1969, quando os ensaios começaram, ninguém além de Paul parecia se lembrar do motivo de eles estarem lá.

Embora as sessões tenham sido surpreendentemente produtivas – os Beatles tocaram 52 músicas novas naquele mês, muitas das quais acabariam entrando em Abbey Road ou ficando entre o melhor material dos álbuns solo dos membros da banda -, toda a mágoa acumulada viria à tona.

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Sob a liderança de McCartney, os Beatles tentam se reagrupar...Mas...


Paul tentava manter os outros no rumo certo, mas essa era uma tarefa ingrata. Seus companheiros achavam seus esforços ofensivos e condescendentes.

Para eles, tudo aquilo havia se tornado apenas outro projeto de Paul McCartney, com o baixista e vocalista dizendo a todos quais notas (e em que tempo) deveriam tocar – e chegando até a orientar o trabalho do diretor. “Paul queria que trabalhássemos o tempo todo”, relatou Ringo, “porque ele é viciado em trabalho”.

George Martin sentia que McCartney não tinha outra opção. “Paul era mandão, e os outros caras detestavam”, diz ele. “Mas era o único jeito de mantê-los juntos era um processo de desintegração generalizado.”

Continua...


*Ronildo Bacardy é radiojornalista e beatleólogo. Escreve neste espaço semanalmente