Tão perto, tão longe... O destino do Cruzeiro já parece estar selado

Por: Victor Eduardo

Foto: Edson Vara/ Lightpress/ Cruzeiro


Sem motivos para acreditar em seu próprio time, a torcida do Cruzeiro parece estar depositando sua confiança nos tropeços do maior rival na ingrata disputa contra o rebaixamento: o Ceará. Equipe que, assim como o Cruzeiro, vem com técnico novo e tinha tudo para vencer o Corinthians em casa na última quarta-feira. Tinha. O Vozão perdeu por 1 a 0 e devolveu as esperanças para o torcedor celeste.

Porém, assim como em outras oportunidades, a Raposa não soube aproveitar a rodada favorável e perdeu novamente, desta vez um tropeço mais esperado do que outros que ocorreram durante a competição.

Nesta quinta, Adilson voltou a apostar no 4-1-4-1 usado na segunda contra o Vasco, com Orejuela na ponta direita, os ingressos de Edilson e Fred e as saídas de Pedro Rocha e Joel. Sem a bola, esse 4-1-4-1 em alguns momentos até se transformava num 5-4-1, com Orejuela fechando a última linha defensiva e Edilson atuando como uma espécie de terceiro zagueiro.

A postura, no entanto, foi diferente, até pelo nível do adversário. O Cruzeiro abdicou da marcação pressão e a tentativa rápida de recuperação da bola após a perda e apostou nas linhas recuadas e a saída em velocidade no contra-ataque. A ideia é boa e até necessária, mas as peças não ajudam, já que o meio campo é lento e Fred apresenta terrível condição física.

Para piorar, os jogadores não possuem nenhuma confiança, impossibilitando qualquer tentativa de imposição de jogo. Nesse contexto, o torcedor assistiu no primeiro tempo uma equipe com certo nível de organização, mas sem nenhuma estrutura mental para criar alguma coisa.

Estrutura mental que ficou ainda mais frágil no segundo tempo, quando Robinho viu Michel salvar seu gol em cima da linha e, na sequência da jogada, se chocou com o goleiro Paulo Victor, deixando o campo lesionado. Um minuto antes, Ezequiel havia entrado no lugar de Orejuela, naquela que foi a última substituição cruzeirense. Uma pitada de azar e outra de negligência: já que havia feito uma mudança no primeiro tempo, Adilson não poderia ter matado suas substituições tão cedo.

O primeiro gol gremista também demonstra o quão perdido estavam jogadores e treinador nesta noite: com um a menos, o Cruzeiro conseguiu a proeza de levar um contra-ataque de bola parada, que resultou no tento do garoto Ferreirinha, mais uma boa revelação que sai da categoria de base gremista.

A partir daí, restou ao Grêmio administrar o jogo e chegar, naturalmente, ao gol de pênalti que mataria qualquer chance de empate cruzeirense. Pepê fez uma jogadaça, se aproveitou do adversário psicologicamente destruído e esbanjou seu talento na arena gremista.

Faltou à equipe de Adilson Batista entender que o empate, principalmente com 10 jogadores em campo, não seria um resultado tão ruim, apesar de decepcionante. Se tivesse conseguido sair com um ponto, poderia escapar da queda caso ganhasse do Palmeiras e o Ceará empatasse com o Botafogo no Rio de Janeiro. Resta agora vencer no domingo e torcer por uma derrota do seu adversário, mesmo com todos os indícios de que o destino cruzeirense já esteja selado.

Abaixo, a nota dos jogadores em mais uma derrota do Cruzeiro:

Fábio – Nota 5
Parece filme repetido, mas, novamente, teve pouco trabalho e não pôde evitar os dois gols.

Edilson – Nota 4
Sofreu com a velocidade dos atacantes gremistas e foi pouco produtivo no ataque.

Cacá – Nota 6
O pênalti diz mais sobre o ano do Cruzeiro do que a atuação do jovem zagueiro. Apesar da tensão do momento, segue fazendo sua parte.

Léo – Nota 6
Também não teve nenhuma culpa em mais um revés cruzeirense.

Egídio – Nota 4
Outra partida apática e ruim do lateral. A expulsão no final do jogo resume bem o que foi o ano de Egídio.

Henrique – Nota 6
Foi melhor na marcação em relação ao que apresentou na segunda e ainda deu grande passe para Ederson naquela que foi a melhor chance do primeiro tempo.

Ederson – Nota 5
Desperdiçou grande chance na etapa inicial, mostrou personalidade, mas continua em queda livre, algo natural para alguém tão jovem. Outro que não merecia entrar numa roubada dessa.

Ariel Cabral – Nota 4
Pouco acrescentou no meio campo e poderia ter sido expulso, não fosse a bondade do árbitro. Saiu merecidamente ainda no primeiro tempo.

Orejuela – Nota 6
Apesar de ainda errar nas tomadas de decisões, sempre é muito ativo e não merecia ter saído no segundo tempo.

David – Nota 3
Incrível como sobra velocidade e falta inteligência ao jogador, erra tudo que tenta.

Fred – Nota 4
Sem mobilidade, participa pouco do jogo e só poderia ser importante se a bola chegasse mais aos seus pés, o que passa longe de acontecer. Não o colocaria de titular.

Robinho – Nota 2
Errou tudo que tentou, inclusive a grande chance da partida e ainda saiu lesionado.

Pedro Rocha – Nota 3
Entrou no lugar do Fred, ameaçou bons lances, mas não conseguiu mudar o panorama do jogo.

Ezequiel – Nota 2
Entrou dentro do pior contexto possível. É mais um da turma dos “esforçados e limitados”.

Adilson Batista – Nota 3(foto)
Faz bem ao tentar mudar formação e peças, mas mexeu mal na equipe, tanto nos nomes quanto no timing das mudanças. Se precipitou ao queimar as três substituições com 15 minutos de segundo tempo.