Na primeira batalha de Adilson Batista, uma derrota que pode ter decretado o rebaixamento cruzeirense.

Por: Victor Eduardo

Naquela que parece ter sido a última medida desesperada para evitar a inédita queda para a Série B, o Cruzeiro buscou o técnico campeão mineiro em 2008/2009 e vice-campeão da Libertadores: Adilson Batista. Sem acerto de salário ou tempo de contrato definidos, chegou com o discurso (um tanto tardio) de colocar em campo quem realmente está comprometido com a grave situação do clube. Faltando três rodadas para o término do campeonato, não restava muita coisa.

E o discurso foi pro campo, com o afastamento do meia Thiago Neves e a reserva para medalhões como Robinho e Fred. Mas se esse fosse o único problema do Cruzeiro, o time não estaria prestes a ser rebaixado faltando dois jogos para o fim da competição. Falando da montagem da equipe e a filosofia de jogo, Adilson apostou num 4-1-4-1 cujas principais características seriam a velocidade e a rápida pressão após a perda da bola. A ideia é interessante, mas faltou adequá-la ao adversário.

Apostar numa pressão alta contra o Vasco, que não tem o menor constrangimento em fazer a ligação direita quando apertado, era inútil e oferecia o espaço que a equipe de Luxemburgo tanto desejava. Além disso, com um meio campo sem velocidade, a pressão pós-perda ficou comprometida, tanto que o único gol da partida saiu de um contra ataque em que a recomposição defensiva foi lentíssima.

No segundo tempo, entraram Marquinhos Gabriel, Ezequiel e Fred nos lugares de Ederson, Joel e Pedro Rocha, mudando o sistema de jogo para um 4-4-2, mas a ideia de jogo permaneceu a mesma: bola no lateral ou ponta e cruzamento aleatório na área. Até chegou a ameaçar em alguns momentos, mas pouco fez para arrancar ao mesos um empate.

Bruno Haddad/Cruzeiro

De volta ao clube após nove anos, Adilson Batista tenta conseguir o milagre de fugir do rebaixamento.


O Vasco, 12º colocado após o triunfo, não fez lá um grande jogo, mas foi muito mais intenso e fisicamente sobrou. Todos os duelos na segunda bola eram vencidos pelos vascaínos, sem falar do dinamismo de um meio campo que ganhou demais com a chegada do experiente Fredy Guarín.
Para o Cruzeiro, o melhor cenário hoje é chegar na última rodada, quando enfrenta o Palmeiras em casa, com chances de se salvar. Um empate do Ceará contra o Corinthians em São Paulo somada a uma derrota cruzeirense contra o Grêmio em Porto Alegre rebaixa o time comandado por Adilson Batista já na quinta-feira.
Cenário dramático que não acontece por acaso. De todos as equipes que passaram ou ainda passam pela ameaça do rebaixamento, o Cruzeiro parece ser aquela que mais se esforçou para estar nessa situação. Diretoria corrupta, jogadores mimados, torcida anestesiada e outros fatores levaram o clube ao pior momento da sua história. Mas este é um tema para outro texto...

Abaixo, a nota e avaliação dos jogadores na derrota desta segunda-feira.

Fábio – Nota 6
Poucas bolas chegaram ao goleiro cruzeirense, que não teve culpa no gol de Guarín.

Orejuela – Nota 5
Voltou a tomar muitas decisões erradas. Era, há poucas rodadas, uma das poucas armas ofensivas do Cruzeiro, mas caiu de produção nos últimos jogos.

Cacá – Nota 6
Como qualquer jovem da sua idade, alterna bons lances com alguns erros juvenis. Mas, no geral, foi seguro novamente.

Léo – Nota 6
Seguro quando exigido, não comprometeu. Em relação a Fabrício Bruno, titular anteriormente, deixa a desejar na saída de bola, mas sua experiência ainda pode ajudar.

Egídio – Nota 2
O pior em campo. Só continua a ser escalado pela ausência de Dodô. Marca mal, erra passes bobos, não acerta cruzamentos, é a cara da má fase do time.

Henrique – Nota 4
Geralmente regular, foi mal nesta segunda. No lance do único gol da partida, deveria ter feito a falta e parado o contra-ataque, mesmo que isso lhe custasse um cartão. Além disso, errou muitos passes.

Ederson – Nota 5
É um dos poucos capaz de fazer algo diferente no time, mesmo jogando pior do que em outras partidas. Não deveria ter saído no intervalo.

Ariel Cabral – Nota 6
Tem um passe melhor do que os outros dois volantes, mas é muito lento. Para um jogador em sua situação física, quanto mais próximo da zaga atuar, melhor, já que não terá tanto campo para ocupar.

David – Nota 4
A mesma história de sempre: esforçado, batalhador e pouco eficaz. O Cruzeiro não deveria apostar em um jogador que não marca um gol há mais de 40 jogos. A responsabilidade não é dele, e sim de quem contrata e o escala.

Pedro Rocha – Nota 6
Sumido no primeiro tempo, melhorou na etapa final quando passou a atuar como segundo atacante. Por mais que, assim como seus companheiros, não esteja jogando bem, deve ser titular por aquilo que já chegou a jogar um dia.

Joel – Nota 3
Alguém tem que descobrir quem descongelou o Joel.

Marquinhos Gabriel – Nota 3
Cisca, cisca e pouco faz. Teve a bola do jogo em seus pés, mas perdeu gol incrível. Só de pensar que foi tratado como a reposição para o Arrascaeta...

Ezequiel – Nota 3
Pouco pôde fazer, contratação difícil de ser explicada.

Fred – Nota 4
Mais participativo que em outros jogos, criou boa chance em cabeçada e poderia ter dado uma assistência se Marquinhos Gabriel não tivesse a pontaria tão ruim. Ainda assim, interrompe demais o jogo com faltas de ataque.