Rodada do final de semana resume o calvário dos mineiros na Série A

Victor Eduardo*

Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro


Imagine a cena: o cruzeirense liga a TV no final de tarde do domingo e percebe que seu maior rival está perdendo por 2 a 0. Com um sorrisão no rosto, ele manda uma mensagem ao amigo atleticano para provoca-lo, mas logo é lembrado do empate do seu time na noite anterior, diante de um oponente direto na luta contra o rebaixamento.

Conformados, os dois apenas aceitam o fato de que seus clubes, em maior ou menor escala, protagonizam um verdadeiro papelão na competição mais importante do país. Essa cena pode estar sendo mais comum do que você pensa...

Vindo de duas vitórias seguidas contra adversários complicados, o Cruzeiro tinha tudo para confirmar a boa fase no sábado, em duelo contra o Fortaleza, também ameaçado pelo rebaixamento. Jogando ao lado da torcida, que compareceu em bom número (32.268 presentes), a equipe até conseguiu furar o bloqueio do Fortaleza e saiu na frente, mas bobeou e permitiu o empate apenas três minutos depois.

Como eu já havia alertado no texto anterior, os dois triunfos consecutivos não deveriam esconder alguns alertas que já vêm de algum tempo. Fred, mais uma vez, foi pouco produtivo, e Egídio errou um passe simples que deu origem ao gol de empate do Fortaleza, marcado pelo ex-cruzeirense Wellington Paulista. Sassá não é nenhum primor de técnica, mas, certamente, incomoda mais o adversário do que o atual camisa 9 titular.

Dodô, por sua vez, chegou a ter uma sequência entre os 11 durante o período em que Ceni o comandou, mas voltou à reserva após a chegada de Abel Braga, que trouxe consigo aquele velho discurso de dar moral ao grupo e recolocou Egídio entre os titulares. Confiança e união são fatores importantes para qualquer equipe, mas insistir em alguns jogadores é um erro que pode custar caro.

Foto: Bruno Cantini/Atlético


Já o Atlético viajou a São Paulo e começou o jogo adiantando a marcação, criando certo incômodo no time treinado por Fernando Diniz. Mas logo o Galo se recolheu totalmente e parou de ameaçar a meta adversária. Se no primeiro tempo a equipe paulista até dominou sem criar chances claras, à exceção de uma cabeçada de Alexandre Pato, no segundo o jogo foi resolvido com 11 minutos, com gols de Igor Gomes e Vitor Bueno.

Inexplicável o time atleticano ter se retraído tanto após um bom começo, sem que Cleiton tivesse trabalho. Fernando Diniz só está começando a impor seu estilo de jogo agora, então seria uma boa oportunidade para aproveitar as falhas naturais de uma equipe em formação. Mas o Atlético simplesmente parou de jogar e só voltou a incomodar Tiago Volpi no final da primeira etapa. No segundo tempo, foi facilmente dominado.

Desfalques e elenco limitado à parte, Vagner Mancini e seus comandados tinham, sim, a obrigação de fazer um jogo melhor. A ausência de Jair deixa uma lacuna no time titular, mas o treinador do Galo poderia testar alternativas, ou até manter a formatação atual do time, apresentando outra postura em campo.

O fato é que Cruzeiro e Atlético protagonizam temporada melancólica, com poucas perspectivas para seus torcedores. Cada um à sua maneira, ambos se enfiaram num buraco que não deveria existir, se levarmos em conta os dois elencos. Mas o problema vai muito além do passe errado do Egídio ou um drible levado por Fábio Santos.

Em um futebol cada vez mais exigente e profissional, gestões ineficientes, conduzidas com pouca seriedade, não vêm sendo perdoadas. Mesmo no futebol brasileiro.

*Victor Eduardo é jornalista e escreve semanalmente neste espaço