Entre lições e alertas, Cruzeiro dá sinal de vida no Brasileirão

Victor Eduardo*

Foto: Daniel Vorley/LightPress/Cruzeiro


Ahh o futebol... Há uma semana, o gol de Camilo no último lance do jogo, com direito a uma longa revisão do VAR, parecia dizer ao cruzeirense que o rebaixamento era algo inevitável. Durante os dias seguintes, um vídeo com a reação dos jogadores após a confirmação do gol mostrava que o psicológico do time estava em frangalhos, já que empatar com o pior time da competição, naquelas circunstâncias, foi um golpe muito duro, sem entrar no mérito do merecimento.

Pois bem, nos dois jogos seguintes, contra equipes muito mais fortes, o Cruzeiro finalmente voltou a vencer. Contra o São Paulo, muita intensidade para marcar a saída de bola característica dos times de Fernando Diniz, mas certo nervosismo na conclusão das jogadas. Ainda assim, foi melhor que a equipe paulista e resgatou um pouco da moral com o triunfo.

No sábado, o primeiro tempo teve cenário parecido com o comportamento da equipe contra o São Paulo, principalmente no que se refere à marcação alta. A diferença, desta vez, foi o jogo mais pensado e uma movimentação maior no setor ofensivo. Se no meio de semana a maioria das jogadas passava pelos pés de David, o que explica um pouco da afobação do time, contra o Corinthians quem apareceu foi Thiago Neves, se movimentando por todos os lados e demonstrando muito mais entrega do que em pelejas anteriores.

As duas vitórias consecutivas, além de darem uma sobrevida à equipe, deixam lições importantes. O ataque, apesar de contar com jogadores lentos, pode produzir muito mais caso mantenha essa movimentação. A reação rápida após a perda da bola é algo imprescindível no futebol atual e foi mais presente no embate contra o Corinthians. Thiago Neves, concentrado e mais disposto, pode voltar a ser decisivo.

Por outro lado, alguns alertas não devem ser ignorados, como a pouca contribuição de Fred. Em um evidente declínio físico, o centroavante não retém as bolas que recebe, não ajuda na marcação e ainda perde muitos gols, apesar da ótima cobrança de pênalti na última rodada. Egídio também vive fase muito ruim, sofrendo para acertar passes e cruzamentos simples, mesmo sem estar tão marcado em alguns lances. Por fim, a entrada de Ariel Cabral logo após o time ficar à frente do placar chama demais os adversários, já que quem sai, geralmente, é um jogador do ataque.

Mas tudo faz parte de um processo, que parecia não ter rumo desde que Abel Braga chegou à Toca da Raposa. O clube ainda vive um turbilhão político, com Zezé Perrella assumindo cada vez mais protagonismo dentro da instituição e o afastamento de alguns dos principais responsáveis pelo caos vivido em 2019, mas, pela qualidade do elenco e a fragilidade de outros adversários, o Cruzeiro ainda pode se salvar.

*Victor Eduardo é jornalista e escreve semanalmente neste espaço