Santana caiu, mas ele é apenas parte de um planejamento fadado ao fracasso

Victor Eduardo*

Bruno Cantini/Atlético


Aconteceu o que já era esperado há algum tempo: Rodrigo Santana foi demitido do Atlético. Como última imagem, fica a terrível apresentação contra o Grêmio, que amplia sua freguesia contra os mineiros construída desde 2015. Treinador do clube desde o dia 11 de abril e efetivado em junho, o técnico paulista conseguiu em um primeiro momento organizar a bagunça deixada por Levir Culpi, conquistou resultados importantes, mas perdeu a mão nos últimos meses.

No jogo deste domingo, o galo “super-ofensivo” de Santana, mesmo jogando em casa, deu a bola ao Grêmio e apostou na velocidade dos contra ataques, com Nathan e Elias formando a dupla de volantes, Marquinhos e Luan pelas pontas, além de Cazares jogando atrás do centroavante Di Santo. Aposta na recuperação da bola e mobilidade da turma da frente para atacar os espaços deixados pelo escrete gaúcho.

E a estratégia vinha funcionando razoavelmente bem até sair o primeiro gol gremista, em falha do experiente Wilson. A partir daí, o nervosismo tomou conta e o Grêmio, sem forçar muito, ampliou o placar. O gol de pênalti marcado pelo argentino Franco Di Santo amenizou um golpe que se mostrava muito duro pelo que vinha sendo a etapa inicial, mas o tento de Pepê, logo no início do segundo tempo, decretou a vitória.

Herdeiro de um trabalho medonho conduzido por Levir Culpi, Rodrigo Santana teve os méritos de dar um mínimo padrão à equipe e chegou a leva-la às primeiras colocações do Brasileirão durante algumas rodadas. Mas nos últimos meses, entre o campeonato nacional e a Sul-Americana, insistiu em algumas escolhas equivocadas, como a titularidade do meia Cazares, e não conseguia dar repertório ofensivo ao time. O Atlético era frágil, instável e perdido.

Tão perdido quanto sua diretoria, que assumiu o clube com um discurso de austeridade econômica e continuou gastando dinheiro com veteranos que pouco acrescentam à equipe. A aposta em Levir Culpi com sua mística do “burro com sorte” também é algo inaceitável para o que é o futebol hoje. Nem a efetivação daquele que era o treinador até o jogo de ontem trouxe consigo um sinal de convicção.

Desde 2016, já são onze técnicos passando pelo clube. Cada um trazendo consigo uma maneira diferente de pensar futebol, rotina insana que impossibilita qualquer equipe disputar títulos importantes. Nas redes sociais, alguns torcedores já clamam pela vinda de Cuca, muito mais pela memória afetiva dos grandes anos de 2012 e 2013 do que pelos trabalhos recentes do treinador gaúcho, criticado pelo pouco repertório ofensivo dos times que monta.

O fato é que, antes de escolher seu treinador, o Atlético deve (ou deveria) colocar a mão na cabeça e pensar no que realmente quer. O grupo de jogadores, apesar de algumas carências inerentes a qualquer elenco, tem bons valores que, se bem organizados, podem render um bom time. A pergunta que fica é: quem seria capaz de realizar tal tarefa? Pergunta simples, mas extremamente importante e aparentemente menosprezada por quem comanda o clube há alguns anos.

*Victor Eduardo é jornalista e escreve semanalmente neste espaço