País ?fracassa? em defender a Amazônia, diz Human Rights Watch

Para HRW, impunidade e falta de fiscalização favorecem desmatamento; dos 300 defensores ambientais mortos na última década, só 14 chegaram a tribunal

Imazon/divulgação


Cerca de 55% dos desmatamentos ocorreram em áreas privadas ou sob estágio de posse
O governo brasileiro ?fracassa? na proteção dos defensores do meio ambiente, favorecendo o avanço de redes criminosas que destroem a Amazônia, afirma a Human Rights Watch (HRW) no relatório ?Mafias do Ipê?, divulgado ontem. Impunidade e redução da fiscalização ambiental contribuem para o desmatamento da maior floresta tropical do mundo, diz o relatório.

Segundo números oficiais, o desmatamento da Amazônia brasileira praticamente duplicou entre janeiro e agosto de 2018 e 2019, indo de 3.336,7 km² nesse período do ano passado para 6.404,4 km² neste ano ? o equivalente a 640 mil campos de futebol.

A destruição da Amazônia ?é impulsionada em grande parte por redes criminosas que usam da violência e intimidação contra aqueles que se colocam em seu caminho.

Os responsáveis pela violência raramente são levados à justiça?, denunciou a HRW. Dos 300 defensores da Amazônia brasileira assassinados na última década, só 14 casos acabaram diante de um tribunal, revela a Human Rights Watch, que exortou o presidente Jair Bolsonaro a deter seus ataques verbais e acusações sem fundamento contra as ONGs, e a restabelecer a ?cooperação? entre o governo e a sociedade civil.

O Brasil é o quarto país com mais homicídios de defensores do meio ambiente, segundo relatório publicado em julho pela ONG Global Witness, que informou 20 mortes por essa causa em 2018. 

No relatório, a HRW observa ?retrocessos? na gestão ambiental de Bolsonaro, que defende a redução das reservas indígenas e a exploração comercial da selva amazônica. O relatório critica Bolsonaro por nomear um chanceler ? Ernesto Araújo ? que qualifica a mudança climática como ?tática globalista? e ameaça retirar o Brasil do Acordo de Paris .

Madeireiros e pecuaristas são apontados como os principais responsáveis pelo desmatamento na Amazônia em busca de madeiras nobres e da criação de gado. A HRW cita 28 assassinatos nos últimos anos cujos responsáveis estariam envolvidos na extração ilegal de madeira. 

Fundo Lava Jato

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, validou ontem o acordo que remete R$ 1,06 bilhão do Fundo da Lava Jato para prevenção, fiscalização e combate ao desmatamento nos Estados da Amazônia Legal e que destina outro R$ 1,6 bilhão para a Educação. Desse montante, R$ 250 milhões irão para o Ministério de Ciência e Tecnologia.