Melhorar a vida dos usuários

Belo Horizonte fica para trás nas privatizações

Em momentos de crise financeira dos governos, em todas as esferas, acaba ficando em evidência a discussão sobre as privatizações. Contudo, não é essa a razão que me move na defesa de venda das estatais e concessão dos serviços públicos. Minhas preocupações são outras: (1) o poder público é um péssimo prestador de serviços; (2) as estatais são um espaço pródigo para corrupção.

Ouvir o mineiro Salim Mattar anunciar a intenção do governo federal de privatizar 17 estatais é, nessa linha, um alívio, é imaginar que poderemos, em algum tempo, contar com serviços eficientes e mais baratos, em regime de mercado, melhorando a vida dos usuários. Ou alguém está satisfeito com a performance da CBTU com o metrô de Belo Horizonte, há 20 anos sem expansões?

Em Minas, as notícias vão na mesma direção: o governador Romeu Zema tem repetido a necessidade de privatizar empresas e conceder serviços como forma de garantir atendimento às necessidades de investimentos em infraestrutura, com destaque para o programa de concessões de rodovias, os estudos sobre PPP em outras áreas e o início das providências para a venda das estatais.

Niterói, com a entrega do saneamento para a iniciativa privada, caminha a passos largos na direção de 100% de coleta de esgoto, estando entre as dez cidades com melhor saneamento básico do Brasil. Enquanto isso, cidades vizinhas, atendidas pela estatal carioca Cedae, amargam as últimas posições do mesmo ranking (Instituto Trata Brasil).

Para quem não percebeu o avanço que isso pode representar, basta percorrer as rodovias concedidas de São Paulo e, depois, passear pelas estradas de Minas ou comparar a situação da PPP do sistema prisional em Ribeirão das Neves com os outros presídios do Estado. Pode-se também visitar uma Emei em BH e comparar com as escolas de educação infantil das cidades vizinhas. Ninguém escolherá serviços prestados diretamente pelo governo se tiver opção de escolher a versão privada.

A despeito do que possam dizer os esquerdistas de plantão, só os políticos tiram proveito das estatais, colonizando-as com seus apaniguados, incompetentes ou corruptos ? tanto faz ?, para garantir favores e atalhos em direção aos seus planos de manutenção de poder. Ao povo, resta apenas pagar a conta do apadrinhamento e do patrimonialismo, essas pragas que devoram a arrecadação e impostos e mantém os brasileiros nessa situação ridícula de pagar caro para contratar empresas estatais inchadas com serviços de péssima qualidade e sem concorrência efetiva.

Uma pena que, enquanto Minas e o Brasil caminham na direção correta, BH tenha declarado guerra às concessões e às privatizações. Com exceção do que já estava contratado pela administração Marcio Lacerda (PPPs das Emeis, dos postos de saúde e da iluminação pública ? todas de sucesso), a gestão atual não deu um passo na direção da desestatização. Ao contrário, interrompeu processos como o das PPPs dos cemitérios e da rodoviária. Também declarou guerra contra a possibilidade de concessão de parques e praças. Por qual razão não estamos discutindo a privatização da Prodabel e da Belotur? Alguém precisa empurrar a cidade para fora da inércia, pois já perdemos oportunidades demais até aqui