Motorista de aplicativo com ficha criminal é preso

Polícia questiona critérios das empresas no cadastramento dos profissionais; homem de 33 anos tem diversas passagens por roubo, estupro de vulnerável e tentou matar um passageiro com sete facadas

Ronaldo Silveira


Preocupante. Polícia questiona a extensa ficha criminal de Jean Carlos, que responde até por estupro
A Polícia Civil apresentou, nesta quinta-feira (11), na Delegacia Regional de Betim, na região metropolitana de BH, um caso que gerou um extenso debate quanto aos critérios para o credenciamento de motoristas de aplicativos e a segurança dos passageiros. 

Em fevereiro deste ano, Jean Carlos Silva, 33, que tinha cadastro para atuar pela 99, agrediu um passageiro com sete facadas após um desentendimento.

Porém, além da tentativa de homicídio, o que mais chamou a atenção da polícia foi a extensa  ficha criminal do suspeito ? que também responde por estupro de vulnerável e tem diversas passagens por roubo. ?Quando começamos o monitoramento ficamos assustados em saber que, mesmo com esse histórico, ele conseguiu se cadastrar e atuar como motorista de aplicativo por mais de oito meses. A polícia não tem autonomia para interferir diretamente nas questões burocráticas de contratação de cada empresa, mas é um risco muito grande para a sociedade?, afirmou o delegado responsável, Roberto Veran.

Entenda o caso

De acordo com Jean Carlos, ele recebeu uma proposta de um passageiro, via aplicativo, para fazer um programa sexual. Ele aceitou o convite, porém, chegando na casa da vítima, eles acabaram se desentendendo. ?Eu não queria matá-lo e ele sabe disso. Também fui agredido, tentei me defender e peguei a faca?, contou.

Ainda de acordo com Silva, que é motorista desde novembro do ano passado, ele usou os documentos originais para se cadastrar. ?Só enviei a documentação minha e do carro e fui aceito?, revelou.



99 afirma ?verificar histórico?

Questionada quanto aos critérios para o cadastramento de motoristas, em nota, a empresa   99 informou que verifica o histórico público dos motoristas a partir de documentos como CPF, CNH e licenciamento. "A empresa também possui parceria com o Denatran que permite acessar informações no órgão ? por exemplo, se o carro é roubado ou se possui algum sinistro. Ou seja, a empresa faz a consulta de antecedentes criminais no momento do cadastro e consulta mais de 40 fontes públicas, como Banco Nacional de Mandado de prisão, Receita Federal e o próprio Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Isso significa que o motorista não precisa levar a certidão porque a própria 99 faz o levantamento com base nos bancos de dados públicos disponíveis", afirmou.

A 99 ressaltou que "no momento do cadastro, ainda é solicitada ao condutor uma selfie segurando a carteira de habilitação. Ele também precisa subir fotos da própria carta e do licenciamento do veículo. O app também realiza reconhecimento facial periódico com todos os motoristas antes de eles se conectarem, além de convidar passageiros a verificar se a imagem do motorista bate com quem realizou a corrida, antes e depois da chamada".