Líder do bloco governista chama fala de Zema de 'ato mentiroso'

Governador disse que gestões anteriores maquiavam contas e recebeu resposta do deputado Gustavo Valadares

Leo Fontes - 16.3.2019


Governador Romeu Zema tem encontro agendado em Brasília com os senadores mineiros
Um ataque do governador Romeu Zema (Novo) às gestões anteriores gerou uma nova crise na base no momento em que o Executivo tenta, ainda sem sucesso, aprovar a reforma administrativa na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Ao atribuir aos governos anteriores ? nos quais se inclui 12 anos de PSDB e aliados ? uma maquiagem das contas do Estado, o governador causou a ira do líder do bloco governista no Legislativo, Gustavo Valadares (PSDB) que pediu uma retratação.

?Espero que rapidamente mais esse ato demagógico e mentiroso seja desmentido. Não se trata de um fato verdadeiro e não é assim que tratamos aliados. Que esse final de semana lhe sirva para rever seus conceitos Romeu Zema?, disparou Gustavo Valadares pelas redes sociais, marcando o perfil do governador na postagem.

A declaração de Zema foi dada em entrevista à revista ?IstoÉ Dinheiro?. A crítica aos governos anteriores se deu quando ele foi questionado sobre os passivos herdados por sua gestão e sobre um possível fracasso da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). 

?Todos os governadores vinham maquiando as contas públicas e apresentando 60% do valor devido. Ficaram tapando o sol com a peneira. Agora a população sabe, nós abrimos a caixa preta e estamos mostrando a dura verdade que temos de enfrentar?, disse o governador na entrevista.

Antes dos quatro anos da gestão de Fernando Pimentel (PT), o governo de Minas foi ocupado pelo grupo do qual faz parte Valadares e boa parte do bloco governista, nas gestões dos tucanos Aécio Neves (2003 a 2010) e Antonio Anastasia (2010 a 2014), e do aliado Alberto Pinto Coelho, então no PP, em parte de 2014. 

Entre os 21 deputados da base aliada, sete são do PSDB de Aécio e Anastasia, um é do PP e outro é do PPS, para onde migrou Alberto Pinto Coelho no ano passado.

Recorrente

Não é a primeira vez que uma fala que ofendeu aliados gerou crise na base de Romeu Zema na Assembleia. Em março, em uma entrevista à InterTV, afiliada da Rede Globo em Montes Claros, no Norte do Estado, o governador disse que a solução da dívida de R$ 13,3 bilhões com os municípios por conta da retenção de repasses constitucionais dependia da aprovação do Plano de Regime de Recuperação Fiscal na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Avaliando que o plano dificilmente será aprovado na Casa, os parlamentares interpretaram a declaração como anti republicana, empurrando para os deputados uma responsabilidade que é do Executivo. ?Depois do que ele disse, Zema vai enfrentar mais dificuldades?, avisou um deputado da base na ocasião.

As insatisfações na ALMG geram riscos à reforma administrativa proposta por Zema, que recebeu mais de uma centena de emendas diretamente no plenário, já que não houve acordo para votação em comissões. A tendência é que o projeto seja bastante alterado pelos parlamentares.