Em busca do equilíbrio defensivo

Rivais duelarão não só pelos três pontos, mas também para manterem convicções de jogo e a solidez defensiva das equipes


Times com estratégias distintas, mas que convergem para o mesmo objetivo: o equilíbrio defensivo. Atlético e Cruzeiro chegam ao clássico deste domingo (4) com planos de jogo bem diferentes do que os torcedores de ambos os clubes se acostumaram a ver nas últimas temporadas. Enquanto o Cruzeiro, em 2018, assume-se como um time que propõe o jogo e fica mais com a posse de bola, o Atlético vem preferindo dar campo ao adversário para tentar ser letal no contra-ataque, expediente que a Raposa utilizou em 2017.



?Mudou um pouco, sim, a nossa maneira de jogar, apesar de termos praticamente as mesmas peças do ano passado. Se eles (Atlético) esperam, vai ser um jogo bom, porque a gente gosta de atacar. Só que a gente vai estar preparado para o contra-ataque também porque tem muita velocidade lá do outro lado. Nosso time mudou, mas de uma maneira boa, a gente fica com a bola mais tempo. Quando se tem bola, você tem menos chance de tomar gol?, analisa o meia cruzeirense Robinho.

No caso alvinegro, a sequência positiva nos últimos quatro jogos, com três vitórias e um empate, veio acompanhada de apenas um gol sofrido, dando um novo gás ao sistema defensivo, que, com o experiente Léo Silva e Gabriel, vinha sofrendo críticas.



Por isso, o interino Thiago Larghi está atento a essas variações táticas que o Cruzeiro vem promovendo na atual temporada.



?Em relação ao time do Cruzeiro, eles têm uma variação no ataque muito grande. Parece que eles estão sem o referência, que é o Fred, então, acredito que terão uma mobilidade maior. Eles se apresentam bem neste aspecto, e vamos neutralizar isso?, projeta Larghi.



Entre os pontos positivos dessa defesa, Gabriel analisa o posicionamento nas bolas paradas.



?Ele (Larghi) não mudou nada no escanteio, continua o mesmo. O que ele mudou foi as faltas laterais, pois ele pediu que fizéssemos uma linha defensiva adiantada, deixando um espaço até o goleiro. Assim, dificulta a entrada dos atacantes adversários, que costumam ser ansiosos e falham ao entrar. O Thiago está fazendo um trabalho bem feito, e compramos essa ideia?, analisou o defensor.



Do lado celeste, mesmo com os lapsos apresentados na terça-feira, quando a Raposa perdeu para o Racing e levou quatro gols pela primeira vez desde que Mano chegou ao clube, existe um consenso de que as lições de Avellaneda foram absorvidas. Para o clássico, existe a expectativa do retorno do zagueiro Léo, além do lateral-direito Edilson e do goleiro Fábio.



Os três não estiveram no tropeçona Libertadores e podem retomar, contra o Atlético, o bom rendimento do setor defensivo, que até então havia levado apenas um gol.



?Na quinta já conversamos bastante, estudamos algumas coisas daquilo que fizemos e planejamos outras para o jogo do fim de semana. Sabemos que temos um elenco forte, um elenco maduro também?, afirma Léo.



E o zagueiro está atento para o que pode vir do lado de lá, principalmente o entrosamento que o time atleticano vem apresentando. ?Eles (Atlético) têm algumas variações de velocidade e cadência de bola, têm também alguns jogadores que possuem uma batida na bola de muita qualidade, e atletas que têm um entrosamento legal. Apesar disso, imprimindo o nosso ritmo, pressionando, reduzindo os espaços, tem tudo fazer um bom jogo?, complementa o defensor cruzeirense.



O que o técnico Mano Menezes sabe é que o clássico poderá comprovar algumas certezas em relação à formação tática de seu time.



?O que nós vamos ver agora no clássico é se depois de uma derrota temos a persistência, a convicção das ideias. É depois das derrotas que elas (ideias) são mais testadas, e é isso que vamos fazer no clássico?, encerrou o treinador do Cruzeiro.

Treinos fechados ditam a tônica de Atlético e Cruzeiro

O clima de mistério tomou conta dos dois lados do clássico. Tanto Atlético quanto Cruzeiro fecharam seus dois últimos trabalhos antes do embate deste domingo (4), que será disputado a partir das 11h, no Independência, pela 9ª rodada do Campeonato Mineiro.



Do lado alvinegro, o técnico interino Thiago Larghi garantiu que não deverá promover grandes mudanças para o duelo. Segundo o comandante, caso aconteça alguma alteração, ela será de ordem médica. ?A equipe (que encarou o Figueirense) está garantida, mas não posso confirmar ainda. Porém, tem uma tendência que a escalação seja mantida, precisamos observar como os jogadores reagiram à viagem. No treino deste sábado vamos tomar a decisão. A tendência é que se mantenha o time?, afirmou Larghi.



Assim, o Galo deverá encarar a Raposa com Victor, Patric, Leonardo Silva, Gabriel, Fábio Santos; Adílson, Elias, Otero; Róger Guedes, Ricardo Oliveira e Erik.



Além dos trabalhos fechados, que servirão para ajustar a parte tática, Mano Menezes deixou no ar o tom de mistério sobre quem enfrentará o Galo neste domingo (4). A dúvida principal fica no ataque, sobre quem substitui Fred, machucado.



?Perder jogadores é ruim, embora se tenha um elenco de qualidade queremos ter todos à disposição, clássico, importante por si só. Não tendo o Fred, vai jogar Rafael Sóbis ou Raniel?, ponderou o treinador.



Outra dúvida é relação ao aproveitamento ou não de Thiago Neves como titular. ?Está aí, relacionado para o jogo, já fez um jogo no sábado passado, vamos avaliar situações e decidir o que for melhor para a equipe nesse momento?, completou.



Apesar disso, Mano confirmou o retorno do goleiro Fábio, que não atuou contra o Racing por conta do falecimento do pai.