Copasa volta a jogar esgoto sem tratamento em córregos

Empresa voltou a lançar dejetos em afluente da Várzea das Flores e nas águas do Saraiva; estatal já havia sido multada, em 2018, pela prefeitura em R$ 2,2 milhões por poluição, mas recorreu para não pagar o valor

A Copasa foi flagrada, nesta semana, lançando novamente esgoto sem tratamento em dois córregos da cidade. A estatal já havia sido multada, em agosto de 2018, em R$ 2,2 milhões pela prefeitura, após a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semmad) constatar em fiscalizações ambientais a poluição no rio Betim e em outros três cursos d?água da cidade. 

Mas a Copasa, além de entrar com um mandado de segurança na Justiça para não pagar a multa, voltou a lançar dejetos em dois desses córregos. Um deles é o Água Suja, que corta o bairro Icaivera e contribui com o abastecimento da lagoa Várzea das Flores. O flagrante foi feito pela regional do Icaivera que, ao realizar a limpeza no entorno do córrego, percebeu que a água estava contaminada. 

Na quinta-feira (14), foi verificada a presença de uma tubulação da Estação Elevatória da Copasa ao lado do córrego despejando dejetos não tratados no curso d?água. Em junho do ano passado, o mesmo crime ambiental foi constatado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, o que resultou em uma multa de R$ 400 mil a estatal e a obrigação de a companhia corrigir o dano. 

?O problema é que o crime ambiental continua. É nítido pela cor da água e pelo forte cheiro que se trata de esgoto sendo lançado no córrego. Diante da gravidade do problema, que tem sido praticado de forma recorrente pela Copasa, acionamos novamente a Secretaria de Meio Ambiente?, disse o administrador regional Hugo Leonardo. A reportagem também esteve no local e flagrou a água suja e escura saindo da mesma tubulação e caindo no curso d?água. 

Outro córrego que voltou a ser poluído pela Copasa é o Saraiva. Na região funcionava uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), sob responsabilidade da Copasa, desativada pela estatal. Técnicos da Secretaria de Meio Ambiente flagraram na quinta (14) que, ao contrário do que foi determinado pela prefeitura, a tubulação está lançando esgoto sem tratamento nesse curso d?água. Por esse dano ambiental, a secretaria já havia multado a Copasa, no ano passado, em R$ 200 mil, além de exigir da estatal a correção do dano.

?Denunciei a poluição do córrego Saraiva pela Copasa há 15 anos, mas nada foi feito. Na minha fazenda, os peixes morreram e, para dar água para o gado, temos que usar uma cisterna. Queremos que a Copasa reative a ETE e dê a destinação correta ao lodo gerado pelo esgoto?, reivindicou o biólogo Vasco Torquato, 68, há 30 anos proprietário de uma fazenda na região. 

Para o secretário de Meio Ambiente, Ednard Tolomeu, é muito grave que, além de protelar o pagamento da multa, a Copasa continue a praticar crimes ambientais em córregos da cidade. Segundo ele, o Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema) confirmou, no mês passado, a multa de R$ 2,2 milhões à Copasa pela poluição já praticada aos córregos Água Suja, Saraiva, Estiva e o rio Betim.

?A secretaria está atenta à preservação do meio ambiente, agindo e autuando para que problemas graves de poluição, como esse, cometidos justamente por quem deveria cuidar da água fornecida à população, sejam sanados. Mais importante que a multa, é que a Copasa pare de lançar esgoto sem tratamento, poluindo os cursos d?água da cidade?, disse. 

Tolomeu salientou que, caso a Copasa continue poluindo os córregos, terá que pagar multa diária de 1% do valor total de cada multa aplicada. 

A Copasa informou que a estação elevatória de esgoto Icaivera está funcionando, porém, na terça-feira (12), a tubulação entupiu, culminando no derramamento de esgoto.

?Tão logo a empresa tomou conhecimento do ocorrido a tubulação foi desobstruída?. Sobre as multas, a Copasa informou que ?elas são pagas, quando devidas, após os trâmites administrativos e legais?. Sobre a poluição no córrego Saraiva, a Copasa não se pronunciou.