Vale ganhou licença para explosões um mês antes de rompimento

Autorização não considerou laudo que contraindicava detonações no local

A licença ambiental concedida à mineradora Vale para operar as minas de Córrego do Feijão e de Jangada autorizava o uso de explosivos e tráfego de veículos pesados que poderiam colocar em risco a estabilidade da barragem que se rompeu em Brumadinho, na região metropolitana, no mês passado. A medida contraria o que foi indicado no laudo de estabilidade da empresa alemã Tüv Süd, cinco meses antes da concessão da licença.

Segundo o portal de notícias G1, o documento, que ficou restrito aos diretores da Vale, alertava que explosões e uso de máquinas pesadas na região colocariam a estabilidade em risco.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) concedeu a licença para operação da Vale nas duas minas em dezembro de 2018. No parecer do Estado, em nenhum momento é citado o laudo de estabilidade e as recomendações feitas pela Tüv Süd.

Nos trechos de avaliação de impactos da continuidade da mineração no local, o laudo aponta a possibilidade de abalos sísmicos provocados por explosões e circulação de máquinas pesadas. Já a licença do Estado autorizou não só a continuidade da mineração, como obras de ampliação e a duplicação da estrada que liga as duas minas. Por fim, a Semad autorizou que a Vale retirasse o rejeito da própria barragem I da mina de Córrego do Feijão.

Em nenhum momento, o laudo elaborado em julho de 2018 pela Tüv Süd é citado no parecer do Estado realizado sobre o licenciamento das operações nas minas.

Por meio de nota à reportagem, a Vale informou que ?nenhuma das atividades licenciadas foram iniciadas?. A empresa destacou ainda que explosões fazem parte do cotidiano da exploração minerária e que não houve recomendação da alemã Tüv Süd para paralisação dessas atividades.

Já a Semad informou que, quanto às análises que fogem da competência da secretaria ? como segurança de barragens de mineração ?, ela recebe as informações dos órgãos competentes. A secretaria disse que recebeu um laudo da Vale no qual a mineradora afirma que as obras previstas não causariam impactos na segurança da barragem.