Zema ainda mantém aliados do PT no comando das estatais

Aparelhamento na administração indireta foi uma das críticas do governador na campanha

Uma das críticas mais recorrentes do governador de Minas, Romeu Zema (Novo), em época de campanha eleitoral se dava em relação ao quadro de dirigentes das empresas estatais. De acordo com ele, em órgãos como Cemig, Copasa, BDMG e Codemig, por exemplo, estão os maiores ?cabides de empregos? dos políticos e os maiores salários do Poder Executivo. Contudo, com quase um mês à frente do governo, Zema ainda não anunciou nenhuma alteração nas diretorias nem nos conselhos das empresas do governo de Minas. Até hoje os conselheiros e diretores de todas as empresas do Estado ainda são aqueles escolhidos pelo ex-governador Fernando Pimentel (PT).

Ex-secretários do governo petista continuam compondo conselhos de diversas estatais. Além de fiscalizar os diretores, eles também são remunerados pela função. O ex-secretário de Estado da Fazenda José Afonso Bicalho, o ex-secretário de Estado de Planejamento e Gestão Helvécio Magalhães e o ex-secretário de Casa Civil Marco Antônio Teixeira, por exemplo, fazem parte do conselho da Cemig. Teixeira também é presidente do Conselho de Administração da Copasa. O presidente da Codemig, Marco Antônio Castello Branco, é membro dos conselhos da Copasa e da Cemig, e o presidente do BDMG, Marco Aurélio Crocco, integra o conselho da empresa de energia. Todos eram homens de confiança de Pimentel, fizeram parte de todo o governo petista e estão ao lado do ex-governador desde a época de transição de governo em 2014.

Para que a troca de diretoria seja feita, no caso de empresas de capital aberto como a Cemig e a Copasa, o chefe do Executivo deve convocar uma reunião com os conselheiros e determinar a mudança, uma vez que o governo do Estado é o maior acionista das empresas. Já no caso das outras estatais como a Codemig, a Prodemge, a MGS e o BDMG, basta que o governador exonere os membros da diretoria e nomeie outros nomes.

Explicações

De acordo com o vereador Mateus Simões (Novo), que coordenou a equipe de transição de governo do Novo, a troca de conselho e de diretoria dessas empresas deve ser concluída até março. Ele explicou que o atual governo pretende, antes de fazer a mudança do primeiro escalão das estatais, alterar os conselheiros. ?O governo está em movimento para as alterações nos conselhos, mas ele vai seguir o procedimento, conselho primeiro e diretoria depois. O governo vai trocar os conselheiros, e depois os nossos conselheiros vão ajudar a escolher os novos diretores?, afirmou.

Segundo Simões, para que os conselhos sejam alterados, é preciso a convocação de uma assembleia geral, o que ele afirmou que demoraria cerca de um mês. Ele contou que a maioria dos nomes que vão compor os conselhos e as presidências das estatais já está escolhida. ?Os nomes já estão validados ou em processo de validação final. O processo já está bastante avançado?, contou.

Simões pontuou que a maior parte dos conselheiros das empresas públicas é ligada ao ex-govenador e que, por isso, o atual governo pretende que eles não participem da equipe escolhida pelo Novo. ?O governo não vai pedir favor para os conselheiros do Pimentel, até porque o ex-governador não quis convocar as assembleias gerais enquanto ele ainda estava no poder, o que nos da uma sensação ruim sobre os conselheiros atuais. Pode trocar só a presidência, sim, mas isso, para nós, não faz o menor sentido. Como que eu vou pedir para os amigos do ex-governo para fiscalizar? Essas pessoas que estão lá não têm nenhum alinhamento nem lealdade com o atual governo ?, disparou. 

Procurado, o governo não se manifestou sobre os cargos em estatais e conselhos.