Fidelização para salvar hospitais

Por causa da falta de recursos, instituições pedem socorro, agora de um jeito inovador

Com a saúde à beira de um colapso em função da falta de recursos, os hospitais filantrópicos pedem socorro, agora de uma forma inovadora. Acaba de ser lançado no mercado belo-horizontino o Solis, uma espécie de programa de fidelização solidária. A ideia é simples: ganham quem compra e as empresas participantes e, o mais importante, milhares de pacientes terão o atendimento garantido.

De forma simplificada, quando um consumidor compra um produto em uma loja participante ? os chamados ?parceiros solidários lojistas? ?, ele ganha pontos, ou Solis. Uma parte do valor recebido na venda irá para a Associação dos Hospitais Filantrópicos de Belo Horizonte (AHF-BH), que repassará os recursos às unidades de saúde cadastradas.

Depois que o consumidor alcança determinada pontuação, ele pode trocar por vouchers para participar de atividades ligadas a lazer e cultura, como clubes, teatros e boliche, entre outros. ?O nosso objetivo é despertar a atenção das pessoas sobre a causa dos hospitais que estão precisando de ajuda. É notório que estão enfrentando uma crise, que mais pessoas estão deixando de ter planos de saúde e necessitando de atendimento, ao mesmo tempo em que as fontes de doação estão também se reduzindo em função da crise?, explica o diretor do Solis, Edward Loures.

Neste primeiro momento, três dos nove hospitais filantrópicos de Belo Horizonte serão beneficiados com a ação: Hospital São Francisco, Hospital Evangélico e Hospital Espírita André Luiz. Mas a ideia é ampliar para todos os outros à medida que for surgindo interesse em participar.

?Nós fizemos reuniões com representantes de todos os hospitais, mas, por enquanto, só esses três aderiram. Estamos abertos para aceitar a participação de todos?, afirma. Em médio prazo, o programa deverá ser implantado também no interior, mas com a rede de parceiros locais. Por enquanto, o foco está na prospecção dos lojistas solidários em Belo Horizonte.

Hospitais

A iniciativa é comemorada nos hospitais participantes. ?Já estamos no limite e não conseguimos aumentar os atendimentos. Mas o Solis vai nos dar um respiro e a possibilidade de melhorar o atendimento aos pacientes carentes?, afirma a gerente geral do Hospital São Francisco, Adriana de Souza Melo. Segundo ela, a instituição tem uma dívida acumulada de cerca de R$ 10 milhões.

A situação é parecida com a vivida pelo Hospital Evangélico, que atua com um déficit mensal de cerca de R$ 800 mil, segundo a diretora administrativa, Mara Christina Pimentel. ?O Solis vai nos ajudar a buscar forças junto com a população?, afirma.

No Hospital São Francisco, a expectativa é a mesma. ?O Solis, quando for abraçado pela população de BH, permitirá que possamos ter uma sustentabilidade do nosso negócio, situação que hoje não possuímos?, diz o diretor administrativo da unidade, Roberto Otto.

Atendimento

Rede

Reunidos, os três hospitais possuem 800 leitos, sendo mais de cem de alta complexidade. Em média, as unidades atendem mais de 15 mil pessoas todos os meses, sendo a maioria delas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Estado

Questionada pela reportagem sobre a dificuldade financeira dos hospitais filantrópicos e o não repasse de recursos financeiros para as entidades, a Secretaria de Estado de Saúde não tinha se posicionado até o fechamento desta edição.

Mais beneficiados

Crise

Somente em Minas Gerais, nos últimos anos, mais de 130 hospitais fecharam as portas, de acordo com a Central dos Hospitais.

Solis

Os hospitais não serão os únicos beneficiados. Um percentual será destinado a ajudar outras instituições assistenciais conveniadas, como creches e casas de repouso, que vão administrar diretamente os recursos. Basta que elas se cadastrem no site.