Com apreensão eleitoral, dólar volta a ficar acima dos R$ 4,10

Julgamentos envolvendo os presidenciáveis Lula e Jair Bolsonaro interferem no comportamento do mercado de investidores

O dólar recuperou as perdas registradas no início do pregão e voltou a operar na casa dos R$ 4,11 nesta terça-feira, 28, com a cautela diante das incertezas com o cenário eleitoral doméstico predominando no mercado.

Às 10h27, o dólar avançava 0,74%, a R$ 4,1112 na venda, depois de registrar a mínima de R$ 4,0623. Na máxima, chegou a atingir R$ 4,1158. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,6%.

Na véspera, o Supremo Tribunal Federal (STF) informou que analisará em julgamento virtual em setembro um recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra uma decisão do plenário da corte que negou habeas corpus ao petista no início de abril.

Está previsto ainda para esta terça-feira o julgamento, pela primeira turma do STF, de denúncia que pode tornar o candidato Jair Bolsonaro (PSL) réu por racismo e manifestação discriminatória contra quilombolas, indígenas e refugiados.

Embora não haja qualquer tipo de impedimento à candidatura de Bolsonaro à Presidência caso se torne réu, a situação amplia a cautela dos investidores devido a um cenário de insegurança jurídica.

Bolsonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto no cenário em que Lula não está na disputa, também seguirá no foco uma vez que dará entrevista ao Jornal Nacional, um dia depois de Ciro Gomes (PDT) ter inaugurado o ciclo de conversas.

?Se o cenário externo não estivesse favorável, o dólar aqui estaria ainda mais pressionado. Há muita coisa pela frente?, avaliou o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva, referindo-se às eleições.

A moeda fechou a sessão anterior a R$ 4,0812 depois de cair 0,57%, em um movimento favorecido pelo acordo comercial entre Estados Unidos e México que ainda promovia a busca pelo risco no exterior nesta terça-feira.

Cenário externo

No exterior, o dólar caía ante a cesta de moedas e se mantinha próximo da mínima de um mês após o pacto entre EUA e México para reformular o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês). A moeda norte-americana também perdia valor ante a maioria das divisas de países emergentes, como o peso chileno.

O Banco Central realiza nesta sessão leilão de até 4,8 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares para rolagem do vencimento de setembro, no total de US$ 5,255 bilhões.