Presidenciáveis erram dados em programas de governo

Planos entregues ao TSE por Bolsonaro, Lula e Marina têm informações falsas

Após os registros de suas chapas, os candidatos à Presidência da República apresentaram à Justiça Eleitoral seus planos de governo. Os documentos são de acesso público e estão disponíveis no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que traz informações de candidatos e partidos envolvidos na disputa deste ano. Diante das propostas apresentadas pelos postulantes ao Planalto, o Caça-Fake, um projeto de checagem de fatos do jornal O TEMPO, verificou as informações divulgadas.

Mesmo com a dúvida em torno do prosseguimento de sua candidatura, devido à Lei da Ficha Limpa, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou um plano de governo com 56 páginas. Nele, Lula diz que ?em 2015, mais de 13,7 milhões de famílias recebiam o Bolsa Família, mas o governo golpista de Temer e o PSDB têm ameaçado o programa?. Lula afirmou ainda que ?em 2017, mais de 326 mil domicílios deixaram de receber o benefício (Pnad/IBGE)?.

Entretanto, a informação não está totalmente correta. Dados do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) confirmam que, em 2015, cerca de 13,7 milhões de famílias foram beneficiadas pelo programa Bolsa Família. Estatísticas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgadas em abril deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também confirmam a queda no número de famílias atendidas pelo programa.

Segundo o levantamento, 9.865.520 famílias receberam o benefício em 2016. No ano seguinte, o número caiu para 9.539.477. Dessa forma, 326.043 famílias deixaram de ser atendidas pelo programa, o que representou uma queda de 3,3%. Apesar de que os números consolidados deste ano só serão divulgados em 2019, o dado mais recente do MDS é de que, neste mês, 13.951.980 foram atendidas pelo Bolsa Família. Houve, portanto, um crescimento no número de atendidos pelo benefício. O que não justifica a fala do petista sobre o programa estar ameaçado pelo atual governo. O valor médio pago a cada família é de R$ 188,16.

Segurança. O candidato Jair Bolsonaro (PSL) afirmou em seu plano de governo que, em 2016, ?apenas 2% das mortes violentas no Brasil estiveram associadas a ações policiais?, o que não é verdade.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2017, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com dados de 2016, pelo menos 4.222 mortes foram causadas por intervenções policiais. Esse total representa 6,9% de todas as mortes violentas ocorridas naquele ano. Em 2016, foram registradas 61.283 mortes violentas. O estudo leva em conta policiais militares e civis, em serviço ou de folga. Dessa forma, o percentual real é mais de três vezes superior ao que consta no plano de governo de Bolsonaro.

O levantamento também revela que 386 policiais foram assassinados em 2016. Em 74% dos casos, esses profissionais não estavam trabalhando.

Marina Silva (Rede) diz, em seu plano de governo, que ?três em cada quatro brasileiros vivem em área urbana?, o que não está compatível com a realidade. De acordo com levantamento divulgado em 2017 pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 84,3% da população brasileira, ou seja, pelo menos 173 milhões de pessoas, vivem em áreas urbanas. Pela estimativa do plano de governo de Marina Silva, seriam 75% dos brasileiros vivendo em áreas urbanas.

 



Zema diz que não forneceu para o Estado, mas o fez



Primeiro a registrar sua candidatura ao governo de Minas, o empresário Romeu Zema (Novo) rebateu críticas durante uma entrevista ao jornal O TEMPO, no dia 6 de agosto.

Com um patrimônio declarado à Justiça Federal de R$ 70 milhões, Zema justificou à reportagem que, apesar do alto valor declarado, tudo é ?fruto de muito trabalho? e que se diferencia de outros políticos. ?Nunca forneci para o Estado, para o governo?, afirmou. Entretanto, isso não procede.

Segundo o Portal da Transparência do Estado, a Empreendimentos e Participações Zema, empresa da família do candidato, recebeu, entre 2002 e 2015, pelo menos R$ 950 mil pelo fornecimento, principalmente, de combustíveis para viaturas das polícias Militar e Civil no Estado. Em um pregão em 2009, a empresa recebeu o montante de R$ 109 mil pelo fornecimento.

Questionada, a assessoria do candidato informou que atualmente a empresa não tem nenhum contrato com o governo de Minas e que ?nunca foi o foco (da empresa) fornecer para órgãos públicos, ou mesmo para o Estado?.

Sobre o pregão, a assessoria informou que ele ?é aberto a toda população, assim não há como impedir a compra por qualquer pessoa?. A assessoria disse ainda que os valores destacados no Portal da Transparência ?são irrisórios diante de uma empresa que tem a expectativa de faturar R$ 5 bi neste ano?.

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