Murillo Mendes, presidente da Mendes Júnior, morre em BH

Empresário, que tinha 93 anos, sofreu um infarto fulminante e foi sepultado em cerimônia reservada à família

O empresário Murillo Mendes, presidente da Construtora Mendes Júnior, morreu na madrugada deste domingo (19), aos 93 anos, na capital mineira. Em recuperação de uma cirurgia no fêmur, ele faleceu em decorrência de um infarto fulminante.

O sepultamento do empresário ocorreu, neste domingo, em Belo Horizonte, em cerimônia reservada aos parentes. ?Foi reservado à família, e estamos aqui lamentando essa perda?, informou o advogado da empresa, José Murilo Procópio de Carvalho.

Há 23 anos dando assessoria jurídica à Mendes Júnior, Murilo Procópio relembra da convivência com o empresário a quem considera ?um homem além de seu tempo?. ?É uma reserva de Minas Gerais que se foi?, completou o advogado.

Ele destacou também a liderança de Murillo Mendes, que substituiu o pai, José Mendes Júnior, no comando da construtora. ?Ele comandou essa grande revolução que foi a Mendes Júnior?, disse Murilo Procópio. "Foi um homem impar, um homem de bem e simples no trato", acrescentou.

Altos e baixos

Durante sua administração a frente da empreiteira, Murillo Mendes viu a empresa passar por intensos altos e baixos. Criada em 1953 pelo engenheiro José Mendes Júnior, pai de Murillo, a construtora foi responsável pelas mais importantes obras do Brasil entre as décadas de 60 e 80.

A Mendes Júnior construiu a represa de Furnas, a Ponte Rio-Niterói e a Hidrelétrica de Itaipu. Pelas mãos de Murillo Mendes Júnior (filho de José Mendes), a empresa ganhou espaço no exterior, onde fez ferrovias, rodovias e sistemas de água. Em 1995, no entanto, a empresa se viu em uma grave crise, com dívidas e sem poder disputar novos contratos por causa de uma briga com o governo federal. Murillo Mendes chegou a escrever o livro ?Quebra de contrato? em que afirma que o governo federal ?deu o cano? na construtora após um investimento malsucedido no Iraque.

Anos depois, voltou a se recuperar a partir de novos contratos com governos estaduais e federal além de novas investidas em países vizinhos. A partir de 2010, o faturamento alcançou cifras bilionárias.

Em 2013, a construtora organizou uma gigantesca festa para 500 convidados na região Centro-Sul de Belo Horizonte para celebrar os 60 anos de sua inauguração. Em pronunciamento, Murillo Mendes exaltou as aventuras da companhia nas centenas de obras feitas no Brasil e no exterior. ?A receita para o sucesso é ter coragem para enfrentar as coisas. Quanto mais porrada você leva, mais você cresce e ganha resistência?, afirmou, na ocasião, o empresário.

Crise e Lava Jato

Pouco depois, no entanto, Murillo voltou a ver a empresa em uma grave crise. Com o avanço da operação Lava Jato, a Mendes Júnior entrou no alvo do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF). Na semana passada, o juiz Sérgio Moro pediu a prisão de um sobrinho de Murillo Mendes, Sérgio Cunha Mendes, o principal executivo do grupo. Ele já foi condenado a quase 20 anos de prisão por contratos irregulares com a Petrobras.

Por conta do envolvimento com o esquema na estatal, a Mendes Júnior foi a primeira empresa a ser declarada inidônea pela Controladoria Geral da União, condição que impede a construtora de participar de licitações públicas.

Em março de 2016, enfrentando problemas de caixa por conta da falta de novos contratos, a Mendes Júnior entra em recuperação judicial, uma tentativa do corpo jurídico da construtora para evitar que a empresa declarasse falência. Na prática, a empresa passou a atrasar pagamentos de faturas e salários de trabalhadores.

A crise também estampou os números financeiras da construtora. No primeiro semestre de 2018, a empresa teve prejuízo de R$ 555 milhões.