Polêmica, venda de 49% da Codemig pode não acontecer

Petista Odair Cunha disse que assunto é tratado no 'âmbito interno do governo'

Embora o discurso entre os aliados de Fernando Pimentel (PT) de que a venda de 49% das ações da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) seria benéfica ao Estado e poderia minimizar o rombo nas contas do governo, a ideia da privatização parcial da empresa, já autorizada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), pode ficar apenas na teoria. 

O deputado federal e coordenador da campanha de Pimentel à reeleição, Odair Cunha, admitiu nesta quinta-feira (9) que o plano não será necessariamente executado. ?Não estamos colocando à venda o controle da companhia, tampouco há proposta de venda. Há uma autorização legal para a venda de 49% das ações, o que não quer dizer que vamos exercê-la?, afirmou. 

O debate sobre o assunto gerou polêmica, e a oposição tentou barrar a venda da estatal. O discurso era que Pimentel estaria entregando o patrimônio público e que o Estado perderia o controle sobre a exploração do nióbio, mineral estratégico para a economia brasileira. 

De acordo com um relatório do Ministério de Minas e Energia, mais de 90% das reservas de nióbio do planeta estão no país. A maior delas, em Araxá, no Alto Paranaíba, é controlada pela Codemig. Por isso, a questão é vista como fundamental para o futuro de Minas. Odair Cunha disse que a hipotética venda da Codemig está sendo conduzida no âmbito interno do governo. ?Caso ela ocorra, em nada prejudicará o desenvolvimento de Minas Gerais?, disse o parlamentar petista.

Ao conversar nesta quinta-feira com a reportagem, Cunha, que é ex-secretário de Governo de Pimentel, também falou sobre a situação da Universidade Estadual de Minas Gerais (Uemg). Em maio, a instituição passou por uma paralisação de professores, que alegaram condições impróprias de trabalho e protestaram contra a falta de investimentos, o parcelamento e o atraso dos salários. 

Sobre o fato, o coordenador da campanha petista culpou as administrações do PSDB. Segundo Odair Cunha, as gestões tucanas ?fizeram um plano de expansão da Uemg sem que houvesse Orçamento capaz de suportar o crescimento previsto. Foi uma ação sem nenhuma responsabilidade social e orçamentária?. Ele disse ainda que a administração petista buscou manter a instituição em funcionamento e declarou ser muito difícil governar um Estado em tempos de crise: ?Recebemos um déficit de R$ 7 bilhões em um cenário de recessão?, relatou. 

Compromisso. Na quinta-feira, Pimentel cumpriu agenda de governo em Belo Horizonte. O governador analisou dados sobre a segurança pública. Na pauta, a ampliação do projeto das bases móveis comunitárias da Polícia Militar. A intenção, segundo Odair Cunha, é levar o projeto para todo o Estado. À noite, o petista participou de uma atividade do partido em um restaurante da capital.