No limite do prazo eleitoral, Temer anuncia mais R$ 4 bilhões de microcrédito

Há o entendimento de que, a partir do dia 7 de julho, agentes públicos cujos cargos estejam em disputa na eleição não podem autorizar publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos

Em discurso no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer defendeu nesta quinta-feira (5) que haja uma união "em torno do bem comum" após a eleição deste ano. "Na vida do Estado, existem dois momentos distintos, um político-eleitoral, em que as pessoas se comprometem, discutem planos, às vezes até exageram na disputa por qual é melhor, infelizmente. Outro momento, depois das eleições, é político-administrativo, em que todos devem unir-se em torno do bem comum", defendeu o presidente. 



Temer destacou que hoje uma autoridade pode fazer parte da situação, mas depois pode virar oposição, e que é preciso seguir o conceito de que "quem perdeu eleição vai fiscalizar, muitas vezes combater equívocos do governo, mas não destruí-lo".



No limite do prazo eleitoral, Temer fez o pronunciamento durante anúncio de mais R$ 4 bilhões de microcrédito para o Plano Progredir, destinado aos beneficiários do Bolsa Família e inscritos no Cadastro Único do Governo Federal. Ele avaliou que, quando assumiu o governo, há cerca de dois anos, "apanhou problemas", mas também aperfeiçoou e melhorou programas sociais



"Inclusão social não se dá por meio de um mero programa assistencialista, mas pela forma de fazer com que a pessoa progrida. Aí, depois do Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida, criamos o Progredir." Segundo ele, a expectativa é de que, daqui a dez anos, o Plano Progredir dê certo e torne o Bolsa Família desnecessário. 



Para Temer, o programa Progredir demonstra que o governo "estimula empreendedorismo" e não possui apenas programas pautados pelo assistencialismo. "Combate à pobreza não é pautado por assistencialismo, mas pela ideia da ascensão social que se faz por esse sistema que estamos adotando", reforçou. 



Temer lembrou, assim como o ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame, que quando assumiu a Presidência diziam que ele iria "destruir a educação, a saúde e programas como Bolsa Família, Fies e Minha Casa Minha Vida". "Diferentemente, nós fizemos exatamente o oposto, convenhamos", rebateu Temer. 



Beltrame disse que políticas e programas sociais foram fortalecidos no governo Temer. "O Bolsa Família, além de não ter acabado, está mais forte hoje, está mais transparente e tem melhor governança. Recebemos o Bolsa Família inchado e cheio de irregularidades, mas fizemos um pente fino, retiramos pessoas que recebiam indevidamente e abrimos espaço para quem necessita. Estamos no décimo mês consecutivo com fila zero", declarou o ministro. 



Em tom de despedida, Beltrame fez agradecimentos e elogiou o presidente Temer por sua gestão. "O seu governo, presidente, mudou a forma de ver e trabalhar Bolsa Família. Estamos trabalhando do Bolsa Família sem proprietários, sem pessoas reféns de um troca-troca e uma ameaça permanente. Seu governo nunca mercantilizou com Bolsa Família", afirmou. 



O presidente Temer aproveita os últimos dias permitidos pela lei eleitoral para tentar mostrar que o governo não está paralisado. Há o entendimento de que, a partir do dia 7 de julho, agentes públicos cujos cargos estejam em disputa na eleição não podem autorizar publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos.